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Bastonário da Ordem dos Médicos alerta para excesso de mortalidade em Portugal

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O excesso de mortalidade verificado em Portugal desde o início da pandemia pode ser muito superior ao que tem vindo a ser anunciado, avisa o Bastonário da Ordem dos Médicos, após a publicação de um estudo que acaba de ser publicado na Acta Médica Portuguesa, a revista científica da Ordem dos Médicos.

Neste é referido que entre o dia 1 de março e o dia 22 de abril, o número de mortes acima do esperado pode chegar aos 4000 óbitos, o que corresponde a um valor cinco vezes superior ao explicado pelas mortes atribuídas à COVID-19.

«Desde muito cedo que manifestámos a nossa preocupação com a forma como os serviços de saúde estavam a reorganizar-se, pelos riscos de deixar outros doentes de fora da resposta, com patologias que precisam também de acesso em tempo útil a cuidados de saúde e que não se compadecem com esperar pelo fim da pandemia», comenta o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

«As autoridades de saúde, infelizmente, não dispõem de sistemas de monitorização adaptados a esta nova realidade e capazes de fazerem uma análise fina e em tempo real ao que está a acontecer aos chamados doentes não COVID».

De acordo com o trabalho, da autoria de Paulo Jorge Nogueira, Miguel de Araújo Nobre, Paulo Jorge Nicola, Cristina Furtado e António Vaz Carneiro, do Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública e do Instituto de Saúde Baseada na Evidência (ambos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa), o  excesso  de mortalidade  de março e de abril não pode ser comparado com fevereiro  nem sequer  comos anos homólogos, mas deve antes ter como referência os meses de férias, em que há uma redução generalizada de atividade e circulação, o que levou também a uma diminuição do número  de mortes por acidentes de viação ou de trabalho, bem como das mortes por infeções características da época, devido ao isolamento.

Isto significa que que o número  de mortes a mais identificadas, é superior ao que se pensava, refere o estudo.

Este excesso está associado aos grupos etários com idades superiores a 65 anos, e indicam ainda mais mortes nos distritos de Aveiro, Porto e Lisboa, o que está em linha de conta com as áreas com mais doentes diagnosticados com covid-19.

As causas apontadas para este excesso estão na diminuição do acesso aos cuidados de saúde.

Entre 1 de março e 22 de abril houve menos 191.666 doentes com pulseira vermelha nos hospitais, menos 30.159 com pulseira laranja e menos 160.736 com pulseira amarela, quebras que correspondem a um potencial de menos 1.291 mortes, sendo 79 em doentes triados com pulseira vermelha, 1206 com pulseira laranja e 6 com pulseira amarela.

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