Opinião

Avante que ninguém fica limpo

Num país, como Portugal, com um atraso estrutural dantesco em termos de cultura política não é de estranhar, mas é de lamentar, a existência de uma organização política com significativa força eleitoral como o Partido Comunista Português (PCP), que ainda governa 20 câmaras e possui, junto com o seu apêndice PEV, 12 deputados na Assembleia da República. A raiz de todo o mal reside aqui.

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Gozando do beneplácito de muita comunicação social, ora militante ora ignorante, prossegue impunemente a sua patética luta pela “ditadura do proletariado” em pleno século XXI… A presunção de que representa o “povo”, embora este na sua grande maioria teime em não se fazer representar pelo PCP em sucessivos atos eleitorais, junto com uma ridícula “superioridade moral” que acredita ser ungido justifica que em plena calamidade se considere no direito de realizar um Festival de Música mascarado de “Festa Política” para açambarcar gulosamente avultados lucros financeiros. Em suma, um Partido anticapitalista doentiamente obcecado em capitalizar lucros, mesmo que isso implique um elevado risco para a saúde pública do mesmo “povo” por quem diz lutar e que se considera representar.

A trama conta com a cumplicidade manhosa do Governo socialista – em troca de voto favorável no próximo orçamento de Estado? – que, finório, finge não ter nada a ver com a realização do dito Festival disfarçado de “Festa Política” deixando tacitamente o PCP isolado na obstinação da realização do certame quando efetivamente é cúmplice da concretização de um Festival de Música onde se vende bilhetes sem controle, independentemente das “restrições” que o mesmo permitiu que a Direção Geral da Saúde, com a cautela e o respeitinho que se deve ter com um amigo do patrão, fizesse.

A prepotência com que o Partido Comunista Português impõe ao país e aos portugueses a realização deste Festival de Música na presente situação de calamidade é a prova acabada do comportamento mais abjeto e sujo que já assisti em política nas últimas décadas. É demasiado repugnante para ser verdade, mas é verdade. E tem dois responsáveis. Um ativo: Partido Comunista, que vai abocanhar as receitas do certame. Um passivo: Partido Socialista, que sabe que um favor, político ou não, cobra-se sempre. 

Para compor o ramalhete restam os artistas que, sem qualquer pudor, aceitaram participar no Festival. A vergonha que resta ao PCP e ao PS não sobra para os ditos. Se participar num Festival onde se exaltam ditaduras e assassinos é por si algo de miserável, participar naquilo em situação de calamidade é ainda mais reles. Moral da história: quando se brinca na lama ninguém fica limpo.

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