Correio do Leitor

Atraso na marcação de consulta de neurocirurgia no Hospital Garcia de Orta

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Este é um apelo que chegou ao Diário do Distrito de uma leitora que aguarda há nove meses pela marcação de uma consulta de Neurocirurgia devido a um problema grave de coluna, com o email que enviou para o Hospital Garcia de Orta com o conhecimento da ERS, e do Ministério da Saúde.

«Tenho 37 anos de idade, estava a ser acompanhada nas consultas de nutricionismo para perder peso e estaria a aguardar a consulta de Neurocirurgia para ser avaliada devido a esta situação de saúde que muito me tem afectado a minha vida profissional, pessoal e até conjugal e que outras personalidades como o Ruy de Carvalho e Silvia Rizzo, com os mesmos problemas, já viram resolvidas com as devidas cirurgias e acompanhamentos em hospitais particulares já em contexto de Pandemia.

De acordo com o relatório da TAC de 29/11/2019, foi-me diagnosticada uma hérnia discal “mediana posterior” identificada em L4/L5 estando já a afectar outros zonas da coluna vertebral. Este era o estado da minha coluna vertebral com uma “moderada acentuação da lordose fisiológica lombar com tendência para verticalização do planalto sagrado e desvio para diante da linha de carga da coluna vertebral, conduzindo a instabilidade na estática da coluna e sobrecarga nas articulações interapofisárias lombares inferiores que poderá justificar o componente degenerativo a esse nível” à data do relatório.

Fui aguardando pacientemente pela marcação de consulta de Neurocirurgia que foi pedida pelo meu médico assistente Dr. Luis Gonçalves, na Unidade Familiar de Saúde da Sobreda, numa consulta de avaliação da “Tomografia Axial Computorizada da Coluna Lombar”, a 20 de Dezembro de 2019 (há 270 dias em 29/09/2020),  com  a toma de analgésicos e anti-inflamatórios que tive que por duas vezes suspender, devido aos efeitos secundários que me provocaram e onde um dos episódios mais severos, me levou às urgências do Hospital por complicações do trato urinário.

Posteriormente, dei entrada no serviço de Urgência do Hospital Garcia de Orta a 10 de Agosto de 2020, transportada numa ambulância e em maca com fortes dores lombares e dificuldades nos movimentos e firmeza dos membros inferiores.

Nesta data, o serviço de Neurocirurgia ainda não havia marcado qualquer consulta para me avaliar e fazer o  devido acompanhamento.

Nesse episódio de urgência, efectuei um exame de diagnóstico de Raio-X, exame esse se revelou pouco expressivo face à TAC que realizei 9 meses antes e com a qual contrapus o Raio-X .  Por ter tido um resultado pouco expressivo face à TAC, levou o Dr. Mihali Goric, (médico que de forma atenciosa e dedicada me observou), a desvalorizar a situação, induzindo-o num diagnóstico menos correcto e levando-o a crer que se trataria de um episódio ligeiro de dor lombar. Pelo exposto e para demonstrar a real dimensão do problema, solicitei ao meu marido que me fosse levar os exames realizados por TAC ao hospital para que o médico os observasse.

Após verificação  dos exames, a avaliação do médico foi totalmente diferente e este revelou-se bastante preocupado com o que avaliou, tendo então reforçado o pedido de consulta externa com cópia do relatório da TAC em anexo.

Seguiu então dos vossos serviços de urgência, a 10 de Agosto de 2020 um pedido MUITO URGENTE para a consulta externa de Neurocirurgia tendo já entrado um pedido 9 meses antes pelo meu médico assistente, Dr. Luís Gonçalves, como já foi referido.

Bem sei que atravessamos um período crítico devido à Pandemia pelo Sars2-Cov19 e que muitas consultas e cirurgias foram adiadas e que isso é inclusivamente notícia nos meios de comunicação social. A minha consulta tampouco foi marcada.

Neste momento, não aguardo uma consulta, aguardo a marcação de uma consulta, o que me parece ainda mais crítico tendo em conta que passaram 270 dias desde que foi pedida.

O meu estado de saúde tem vindo a agravar-se, com dores cada vez mais severas e frequentes, com cada vez mais episódios de dormências nos membros inferiores e falta de firmeza que neste momento já não respondem a cremes anti inflamatórios ou a outros fármacos para o efeito.

Consequentemente, essa situação tem trazidos sérias limitações na minha vida familiar, profissional e académica.

Tenho 37 anos, sou mãe de dois filhos menores, e cada vez mais limitada, vejo o meu marido assoberbado com toda a logística familiar e o meu mau estar sistemático tem tido efeitos nefastos na minha produtividade enquanto trabalhadora e estudante, colocando em sério risco a minha situação profissional e o meu investimento na minha formação académica.

Mas a consulta continua por marcar, há 270 dias e o meu problema a agravar-se há 270 dias.

E como não poderia deixar de ser, deixo as minhas considerações sobre tudo isto, na esperança de que sejam agraciados pela Razão e pelo bom senso quando e se as lerem. E assentam no seguinte: a vossa premissa é a de que a Medicina nas suas diversas especialidades, trabalha para proporcionar cada vez mais qualidade de vida à população e para aumentar a esperança média de vida.

Eu tenho uma condição que para mim e pode parecer que por se estar a passar comigo, assume uma importância e uma atenção de que nenhuma outra condição de outro doente é merecedora.

Porém, tenho perfeita noção de que haverão certamente situações mais graves e mais urgentes e não desconsidero tais situações. No entanto entendo que pelo exposto, eu estou a ser seriamente desconsiderada e negligenciada.

E será da vossa competência avaliar e agir em conformidade não só as consequências da situação per si mas de tudo o que ela envolve. Não sendo consideradas, como tem sido demonstrado, os senhores estão a colocar em causa a minha qualidade de vida e o meu direito à Saúde. E a ser assim estão a ser extremamente incoerentes com a promoção da Qualidade de Vida que advogam.

Mas mais que isso, são as acções pelas quais poderão ter que vir a responder judicialmente por toda esta situação e aí receio que não exista Ordem dos Médicos que vos valha, pois entendo que pela vossa inércia, estou a ser privada de um direito Constitucional que qualquer cidadão conhecedor dos seus direitos e deveres, será deveras conhecedor e o qual transcrevo:

“Artigo 64.º  :

1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.

2. O direito à protecção da saúde é realizado:

a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;

b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.

3. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:

a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;

b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;

c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;

d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;

e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;

f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.

4. O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada.”

Agradeço por favor que se dignem de efectuar as diligências que vos competem  a fim de abreviar toda esta questão.

Sónia Alves

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