Editorial

As virgens ofendidas de um sistema gasto e descontinuado

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A esta hora a Assembleia da República está aberta em horário extra para receber os mais de 100 convidados, número certo 130 convidados, que vão estar nas galerias para assistir com pompa e circunstância mais uma comemoração do 25 de Abril.

Acho muito bem que se assinale o 25 de Abril, mas este ano com a situação que todos vivemos, esse poderia ter sido adiado com foram as festas e romarias espalhadas por este cantinho fora.

Também foram canceladas as comemorações do dia 10 de Junho, dia de Portugal, então se são estas canceladas, porque não foram canceladas as do 25 de Abril?

Não é ser fascista quem tem a consciência e o juízo todo para ter “cojones” como se diz em espanhol, para assumir que não estamos em tempo de festas presenciais. As novas tecnologias já permitem levar até todos a informação e os discursos, se estes não puderem de todo ser adiados.

Para além de ser um atentado à saúde, também é um atentado à economia, ressalvo com o facto de não ter a certeza do número, mas atrevo-me a dizer que é de uma incoerência total, gastar-se cerca de 2 milhões de euros nas festividades, o país está a passar por uma pandemia, mas ao mesmo tempo em estado de austeridade, e vamos gastar 2 milhões de euros nas festividades?

Então esse dinheiro não serviria para equipar o SNS para melhores condições servir a população? Claro que não, é preciso comemorar o 25 de Abril em 2020, porque quem é contra, ou é apelidado de iluminado ou de fascista, na boca daqueles que não estão de acordo, ou melhor, estarem de acordo em não se fazer, até estão, mas o medo do sistema que defendem politicamente ainda impera.

O meu último editorial ofendeu as virgens desse sistema, fui excomungado até à última geração e pendurado na cruz, como Jesus foi, mas continuo na minha, o país está a lutar por uma pandemia maligna e perante a maior austeridade de há 90 anos, e nós todos confinados em casa enquanto a nossa classe política vai comemorar na casa da democracia como se nada fosse e houvesse, numa celebração onde o ‘povo’ não tem entrada, porque esse tem de se ‘proteger’ não saindo de casa.

O 25 de Abril foi, é e será sempre dos militares e do povo, esse que está agora confinado em sua casas sob um decreto de estado de emergência. Enquanto isso, a classe política que em 1974 estava presa, faz do 25 de Abril como sendo deles, absorvendo as comemorações só para si e nada mais. Infelizmente é este o país que temos, um país que não tem culpa, mas a classe política tem e muita.

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