As vacas não voam

Um artigo de opinião de Pedro Nuno Cavaco.

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Esta semana um artigo de Pedro Guerreiro Cavaco.

“Até as vacas podem voar”, afirmou António Costa em Maio de 2016.
Volvidos três anos desta afirmação categórica a propósito do então denominado SIMPLEX +, processo de modernização da administração pública e simplificação, vemos um país mergulhado numa situação inimaginável, só lembrado a quem recuar umas décadas, para fazer / renovar o Cartão de Cidadão ou, de igual modo, tratar do passaporte.

É uma vergonha alheia em plena campanha às eleições europeias. Nestas, ouvimos e lemos frases chavão como seja esta: A Europa é aqui!

Não, Nuno Melo. A Europa ainda não é aqui. Nesta nossa europa (com minúscula) as pessoas ainda esperam longas horas numa fila para tratar de um documento e se pretenderem agendar, terão três longos meses pela frente. Estamos nesse aspecto, como noutros, na cauda do pelotão.

É crónico? Penso que não. Sem embargo, dado o tempo que decorre o problema, já deveria ter sido sanado. É inadmissível o que se está a passar nas Conservatórias e nas Lojas do Cidadão.

Mas qual a causa? Um bug informático? Não. O que há é trabalho administrativo, quiçá acrescentado por leis recentes de imigração e circunstâncias supervenientes, sistemas informáticos antigos e obsoletos e pouca afectação de recursos humanos.

O que é visível? Filas intermináveis de pessoas que desesperam, de pé, horas e horas, e que sabem que a falta ao trabalho não é tida por justificada. Nenhum órgão de comunicação social alertou para isto. Ora, como agir diante de duas obrigações?

Pior quando se está debaixo de sol, ou, já dentro das instalações, quando estas não têm condições de refrigeração e o calor torna-se manifestamente insuportável.

Em consequência, os cidadãos manifestam o seu compreensível desespero nos seus comuns ou, na maioria das vezes, nos funcionários.

Tenhamos noção! São centenas e centenas e centenas de pessoas em fila. São horas, e horas e horas de espera.

Ao governo não basta anunciar. É preciso pensar. E isso nem sempre sucede quando, aqui e ali, não se despreza o show-off.

No dia 21 de Maio foi transmitido no canal televisivo SIC uma reportagem de investigação que é apenas assustadora. Este é o país real. Um país europeu onde crianças dentro de carros com cobertores aguardam os pais que, desde 05:30H da manhã, aguardam posição na fila.

Seria, pois, interessante uma posição firme de António Costa ou, por que não, de Anabela Pedroso. Sim, neste momento em que as coisas não lhes correm de feição porque as vacas não levantam voo. Quiçá por não estarem a ser devidamente alimentadas.

E estando em campanha eleitoral, seria igualmente interessante ouvir a número 2 de Pedro Marques, Maria Leitão Marques, pessoa altamente envolvida no Simplex.

Chatice e aborrecimento este dos cidadãos portugueses quererem tratar (e pagar!!, ainda que aqui presumivelmente não queiram) um direito, o de ter o documento da sua cidadania.

É tudo mau no Simplex? Não, não é. Há muito de bom. Há situações que vi serem melhoradas na minha vida pessoal e profissional. Mas não poderia fechar os olhos a esta realidade que colide frontalmente com os passes de mágica de 2016, nomeadamente por ter visto, à pompa com que o mesmo Simplex foi anunciado e perceber que agora, quando o caos está incompreensivelmente instalado, ninguém vem a terreiro por termo a uma situação penosa e altamente contrastante com uma Europa pujante, inovada, moderna e vigorosa.

Não, António Costa. As vacas não voam.

Hoje é Sábado, dia 25 de Maio. Amanhã é dia de eleições. Exorto a todos à presença maciça nas urnas numa atitude pessoal, de cidadania e de maturidade democrática. Não desprezemos os direitos adquiridos, porque não foram adquiridos vitaliciamente. Importa que os saibamos manter.

P.S. Ficou mal à Junta de Freguesia da Amora, na sua página oficial da rede social Facebook, fazer campanha partidária pela CDU, publicando uma notícia extraída directamente do site do PCP. A publicação, posteriormente retirada, foi feita a 23 de Maio.

A este propósito, há uma nota da CNE que invoca as regras comuns do sistema eleitoral português onde se destaca o seguinte, cito: “As entidades públicas estão especialmente sujeitas a um dever de imparcialidade neutralidade perante as candidaturas”.

Não me pronuncio sobre o tempo que o(s) funcionário(s) público(s) afecta(m) a estes propósitos quando, não duvido, a cidade da Amora terá, certamente, urgências e pendências por resolver. Prioridades… 

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