Opinião

“As salas de chuto e as ciclovias do Medina de Lisboa”

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Mas, Medina, é também o nome do actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que, qual tipo monarca da Arábia Saudita, tem imposto as suas ideias tiranas e fundamentalistas à população de Lisboa, com consequências prejudiciais para a cidade, os seus habitantes e até para quem reside nas cidades da respectiva área metropolitana.

Um dos grandes problemas da nossa sociedade e da política portuguesa é a falta de escrutínio que os nossos políticos sofrem, porque, no caso de um Presidente da Câmara, como o sr. Medina é, praticamente existe um poder absoluto no município que dirige, tendo apenas de justificar as suas escolhas no fim de cada mandato.

As últimas ideias tiranas e fundamentalistas que o sr. Medina está a colocar em prática em Lisboa são as ciclovias, para meia dúzia de utilizadores, e as salas de chuto, onde o número, infelizmente, deve de ser mais elevado.

Relativamente às ciclovias, a ideia até é muito interessante se, por exemplo, os nossos transportes públicos fossem de excelência, o que, por mera incompetência de governantes como o sr. Medida, não o são.

A ideia do sr. Medina de ter ciclovias por toda a cidade de Lisboa é idêntica ao de começar uma casa pelo telhado, pois, gastar dezenas de milhares de euros nesse projecto, que poucos usam e poucos irão usar, reduzindo faixas de rodagem essenciais e prejudicando a fluidez do trânsito, o que provoca, só por si, um verdadeiro caos rodoviário e uma maior emissão de gases poluentes para a nossa atmosfera, é uma completa idiotice ou um verdadeiro fundamentalismo utópico, imposto sem qualquer base científica.

Até ao próximo ano, Lisboa vai ter uma rede de percursos exclusivos para bicicletas de cerca de 200 quilómetros, mas o que eu gostaria é que o sr. Medina se preocupasse com os invisuais, com as pessoas com mobilidade reduzida e de quem tem de andar pela cidade em cadeira de rodas, da mesma forma que se preocupa com os ciclistas.

Pergunto, quantos passeios em Lisboa têm condições para quem tem mobilidade reduzida ou quantos semáforos têm sinalização sonora para quem é invisual, entre outras situações?

Mas o importante é lançar areia aos olhos de alguns fundamentalistas iguais ao sr. Medina, que ficam satisfeitos por verem ciclovias construídas, mas nem sequer questionam o mal que isso pode provocar ao meio-ambiente, tal como já referi acima.

E quantas pessoas poderão estar em perigo de vida por causa dessas ciclovias estarem a obstruir a circulação de ambulâncias e de outros veículos de emergência? Penso que ainda não tivemos uma tragédia porque muitos cidadãos, devido à pandemia, continuam em casa e não têm utilizado os seus veículos automóveis.

A segunda decisão do fundamentalista Medina é a criação de mais 3 salas de consumo assistido em Lisboa, vulgarmente conhecidas como “salas de chuto”, perto de creches,  escolas ou de áreas residenciais, que irão expor os residentes aos utentes dessas salas, quando o Decreto-Lei n.º 183/2001, de 21 de Junho (Regime geral das políticas de prevenção e redução de riscos e minimização de danos), dispõe que “os programas são autorizados apenas para zonas de grande concentração de consumidores por via endovenosa, não podendo ser instalados em espaços ou centros residenciais consolidados” e que a “a localização escolhida, quer no que diz respeito a instalações fixas, quer no que diz respeito a instalações móveis deve, tanto quanto possível, evitar a exposição a não utentes”.

Aconselho o sr. Medida, o qual jamais iria construir uma sala de chuto ao pé da casa de luxo que comprou à família Teixeira Duarte, a ler o que alguns especialistas nacionais dizem acerca das salas de chuto, os quais consideram que por se ter verificado um decréscimo do consumo, por via injetável, abrir salas neste momento pode ser um sinal errado que se está a dar à sociedade.

Novamente observamos no sr. Medina uma enorme preocupação por algo que, na minha opinião e com toda a frontalidade, não merece estar nas primeiras prioridades de um governante, nomeadamente dar melhores condições aos toxicodependentes para se injetarem.

Todavia, não o vemos ter a mesma preocupação com quem necessita de cuidados médicos, nomeadamente os mais de 10% de portugueses que não compraram medicamentos por falta de dinheiro.

Assim, pergunto ao sr. Medina, será que ele contratou ou mandou aumentar o número de efectivos das forças de segurança para as localizações onde quer construir mais 3 salas de chuto?

É muito engraçado mergulharmos a cabeça na areia e fingirmos que as salas de chuto não criam problemas de perturbação da ordem pública e potencializam o recrutamento de novos consumidores e a permanência de consumidores e de traficantes de droga à porta desses locais, mas não tem graça nenhuma, em particular para quem reside nessa área.

Mais uma vez o sr. Medina põe e dispõe da cidade de Lisboa a seu bel-prazer, pois vai instalar salas de chuto sem ter realizado qualquer debate com a população.

Ainda não estamos sob o modelo de governo e legislação wahabista da Arábia Saudita, que é a raiz ideológica do Estado Islâmico, mas com o sr. Medina estamos a caminhar em passos largos para uma ditadura fundamentalista idêntica!

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