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Artistas respondem com ‘veneno ocidental’ e ‘colonização’ às críticas pela participação na Festa do Avante!

A polémica está (de novo) lançada em relação à Festa do Avante!, que se realiza de 2 a 4 de Setembro na Quinta da Atalaia.

E se em 2020 este icónico evento promovido pelo Partido Comunista Português foi alvo de críticas por decorrer durante o período de pandemia de covid19, este ano a desaprovação é dirigida aos artistas que nela participam, devido ao posicionamento do PCP perante a invasão russa à Ucrânia.


José Milhazes, comentador televisivo, foi o primeiro a abordar o assunto, ao lembrar que «os artistas são livres de participarem no que quiserem, mas estão a participar numa festa que não é só musical. É uma festa política de um partido que apoia regimes hediondos e que, neste momento, está a apoiar uma guerra.»

O comentador da SIC enumerou depois nomes como Carminho e Paulo Bragança, bem como Bia Ferreira, «que segundo o cartaz é uma das mais destacadas vozes brasileiras de afirmação da comunidade LGBT e vem à festa de um partido que apoia regimes que perseguem, prendem e matam todas estas minorias sexuais».

Por sua vez, Henrique Raposo comentou no Expresso que «depois do caso Pedro Abrunhosa, fica ainda mais escandalosa a relação de amizade e conivência entre o PCP e a Rússia e, neste sentido, importa perguntar: os artistas portugueses vão continuar a fazer campanhas e ações pela liberdade e diversidade de manhã e à tarde vão continuar a tocar na festa do partido que apoia Putin? Vão continuar a fazer campanhas LGBT de manhã e à tarde vão tocar na festa do partido português mais reacionário nesse campo e que, ainda por cima, recusa condenar o regime de Putin onde as minorias LGBT são perseguidas?».

Convidado do podcast da BLITZ, Posto Emissor, Paulo Bragança afirmou que «tem havido uma onda de hate por causa do Avante!. Eu sou um homem da paz e vou pela paz. Vou trabalhar e mais nada».

Numa conversa na TSF, o fadista disparou: «Guerra? Isso vi eu», numa referência a Angola onde nasceu.

«Vi homens e mulheres nus para serem fuzilados ou passar oito dias fechado num sítio para não levar com uma bala na cabeça. Pois muito bem, vão tomar banho.»

Já Bia Ferreira respondeu de forma assertiva nas redes sociais, e com um vídeo no qual refere o que escreveu no Facebook e no Instagram a 22 de julho.

«Sobre a minha participação na @festadoavante:

Eu faço arte para denunciar as violências que meu povo sofre! Eu quero que o mundo saiba que a colonização europeia no meu país deixou um estrago tão grande, que a gente tá pagando a conta até hoje.

Acho que o incómodo de alguns, diz respeito ao desconforto de me ouvir falar que eu venho do Brasil e que os seus antepassados escravizaram e mataram, exploraram e exploram até hoje a nossa gente.

Quanto à guerra entre Rússia e Ucrânia, eu nunca fui a nenhum desses países, mas aqui no Brasil eu vivo na guerra desde que nasci, e nunca vi essas mesmas pessoas preocupadas com as nossas mortes.

Helicópteros sendo usados de base de tiro para matar civis na favela. O número de mortes de civis e de policiais no Brasil é maior que o número de mortes na Ucrânia ou na Rússia. É só pesquisar.

As mortes na Ucrânia incomodam porque são Brancos morrendo.

Quanto vale a vida das pessoas mortas todos os dias pela violência do estado no Brasil? Sabe a cor delas?? Se não te comove, então você é só mais um racista.

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Vou tocar na Festa do Avante e vou fazer o que eu faço de melhor: ARTE!

E quem não quiser ouvir sobre a minha história e o meu povo, que não vá!

Bom dia Brasil! Boa tarde Portugal!»

Também visado nas críticas, Dino D’Santiago usou também as redes sociais para deixar a sua mensagem.

«Sempre que sou insultado pela minha forma de sentir e de estar na vida, os que me conhecem e amam de verdade, com o fim de me protegerem, alertam-me sempre “não ligues Dino, não te conhecem, deixa-os falar e responde com a obra feita no dia a dia.”

Acreditem que apesar de eu compreender esse cuidado, não consigo concordar com o silêncio perante o insulto profano e desmedido.

Tenho recebido mensagens de algumas pessoas, contra a minha participação na Festa do Avante!, uns pedindo para que eu cancele, outros responsabilizando-me pelo sangue ucraniano derramado nesta guerra.

Sim. Sou responsável pelo sangue derramado nesta e em todas as guerras, em ambos os lados da trincheira! Porque sou um filho do século XX! O século mais assassino da história da Humanidade! Nas NOSSAS mãos carregamos o sangue de mais de 100 Milhões de Seres Humanos, mortos em nome do Poder, Religião ou Genocídio fruto de uma ‘demência criminosa com breves intervalos de lucidez’.

Estes Monstros que entre o medo, a ganância e o desejo de poder, vamos destruindo tudo à nossa volta, sem olhar a meios.

Relativamente a esta guerra entre 2 países Europeus, parece que despertou finalmente a compaixão do privilegiado Eurocentrico que finalmente conhece o sabor do seu próprio veneno ‘Ocidental’.

Onde estão quando a Fome grita por socorro às crianças no Iémen, onde estão quando o assunto são as 5,5 milhões de Pessoas Refugiadas da República Democrática do Congo, ou dos 1,75 milhões que fogem de Burkina Faso, somando aos outros Milhões de Seres refugiados vindos dos Camarões, Sudão do Sul, Chade, Mali, Sudão, Nigéria, Burundi e Etiópia.

Sou e serei sempre pela PAZ em qualquer canto deste Globo!

E para esta Guerra da Humanidade carrego a única Arma que herdei dos meus Pais… AMOR!

E enquanto tiver munições viajarei por todos os lugares onde sou bem-vindo.»


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