Opinião

Animais unidos jamais serão vencidos!

Uma crónica de Vera Esperança.

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E por falar em confinamento, sim, ainda na senda da anterior crónica, https://diariodistrito.pt/cucu-passaroco-lindo/ não esqueça também dos milhares de animais que vivem presos em jardins zoológicos espalhados por todo o mundo.

Há relatos que retratam a vida miserável e faminta de animais que apenas vêem o mundo que os rodeia através de um gradeamento. Naturalmente que estes seres vivos têm agora pouca ou nenhuma capacidade de adaptação ao meio do qual nunca deveriam ter sido retirados, pelo que devem ser criados santuários que os recebam e que possam possibilitar-lhes uma existência o mais próxima e semelhante do seu habitat natural.

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Qual é a diferença entre um jardim zoológico e um santuário? Sério? Vá lá, amigo, então, faz toda a diferença. Repare que no santuário a prioridade são os animais – o número de visitas é reduzido, bem como o número de espécies. E aqui, os animais dispõem de um espaço mais amplo, devidamente localizado e adequado às suas necessidades. Já num jardim zoológico, quanto mais espécies melhor. O que interessa se um animal vive numa jaula em frente ao seu predador natural e sofra de permanente ansiedade? Ou a zebra que ouve o rugir da leoa? Que interessa se um animal que percorre diariamente dezenas de quilómetros esteja afinal confinado a escassos metros quadrados? Que interessa que ursos polares estejam expostos a 40º no verão? Ou que focas e golfinhos sejam domesticados para fazerem parte estúpidos eventos? Nada. Sabe porquê? Porque o que interessa é que o visitante vá para casa contente e que regresse o quanto antes e com uma trupe maior. 

No que em concreto diz respeito ao maior jardim zoológico do país, situado em Lisboa, que acolhe cerca de dois mil animais selvagens numa zona urbana rodeada por avenidas e sujeita à poluição citadina, reza a sua história que mantém animais prisioneiros desde 1884 e que inúmeras remessas de animais vindos de África e do Brasil contribuíram para que, ao longo dos anos, o Jardim Zoológico tivesse uma das coleções de animais mais vastas e diversificadas do mundo.

Uma das colecções… leu bem. É assim que se encaram os animais, como peças de coleção, entre as quais figuram exemplares de espécies exóticas, pouco conhecidas e muito atrativas.

Esta miserável descrição traz-me à memória uma fotografia que vi há uns largos anos. Ora veja:

Foto retirada do link www.geledes.org.br/fotos-antigas-mostram-negros-vivendo-em-zoologicos-humanos

Sabe o que é isto? É um zoológico humano. Pessoas de origem africana viviam em zoológicos para que caucasianos as pudessem visitar – era um regalo! Nunca se tinham visto tantas espécies de coleção, tão exóticas e tão atrativas! Mas também índios e esquimós receberam o mesmo tratamento. Acredite ou não, estes zoológicos só fecharam durante a segunda guerra mundial e contribuíram para a morte de muitas pessoas, à semelhança do que hoje acontece nos zoológicos que confinam animas não humanos.

E não, não é uma comparação daquelas que não se fazem, porque, na sua essência, é exatamente a mesma coisa – o confinamento de seres vivos, que merecem a sua liberdade e a sua autodeterminação e não o enclausuramento para que outros os possam visitar numa tarde de ócio. Oh, mundinho este, tão atrasado! Vamos lá acabar com a escravatura, mas com toda a escravatura, ok?

Os jardins zoológicos servem, acima de tudo, para exibir e explorar animais selvagens. Não me parece que consigam sequer promover a preservação das espécies de que tanto se arrogam. Animais em cativeiro vivem em ambientes artificiais e sujeitos a domesticação para entretenimento humano. A exploração económica de animais encontra-se validada por legislação ordinária e comunitária, capaz de excecionar as práticas mais tenebrosas a que um ser vivo pode ser sujeito. Veja-se o caso da maceração dos pintos machos, da castração dos leitões machos sem anestesia, da indústria leiteira, dos circos e, claro, dos jardins zoológicos.

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