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Amora | ‘Na Quinta da Princesa as Mulheres Contam’

A mulher como alicerce na comunidade com culturas tão diferentes como a africana e a cigana, e o levantamento dos problemas dos moradores da Quinta da Princesa, na Amora, foram alguns dos objectivos do projecto de desenvolvimento comunitário ‘Na Quinta da Princesa as Mulheres Contam’.

Este projecto insere-se no Programa Bairros Saudáveis e foi promovido pelo MDM – Movimento Democrático das Mulheres e pela AMUCIP – Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas.

Durante cerca de um ano foi criado o «Grupo Colaborativo de Mulheres», no qual várias mulheres apresentaram os problemas vivenciados no dia-a-dia, na sua maioria centrados na necessidade de melhoria das condições de vida, sobretudo nos aspectos da habitação e da saúde.

Este sábado, o grupo de mulheres e as entidades envolvidas no projecto, bem como as entidades parceiras, a Câmara Municipal do Seixal e a Junta de Freguesia de Amora, apresentaram alguns dos resultados do projecto, com uma exposição e um convívio que teve lugar no Clube Recreativo da Quinta da Princesa.

“Os nossos agradecimentos para vão para o Clube, que disponibilizou as instalações para algumas das nossas iniciativas, e também à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia, com quem trabalhámos antes de chegar ao bairro, com o levantamento das condições deste”, explicou Regina Janeiro, do MDM.

A necessidade de “valorizar mais a mulher e o seu papel na comunidade”, bem como “a necessidade de garantir que as culturas africanas e ciganas deixam de ser desvalorizadas” foram aspectos destacados pela responsável, frisando que “todas somos mulheres, mas há problemas que parecem ser iguais, mas são encarados de formas diferentes por cada africana ou cigana, como é o caso da violência. Temos muito a fazer numa sociedade que tanto precisa das mulheres.”

Pela AMUCIP interveio a presidente Sónia Matos, recordando que o Bairro da Quinta da Princesa “está no meu coração, porque foi aqui, na Escola Básica, que iniciei a minha profissão de animadora socio-cultural”.

E num bairro multicultural da comunidade africana e cigana, Sónia Matos destacou que “existe a ideia de que estas duas comunidades não se dão, o que é falso, e este bairro é exemplo da convivência muito saudável entre todos”.

‘Problemas estão identificados, há que procurar soluções’

Apesar de estar a terminar o Programa Bairros Saudáveis, Carolina Leão, do MDM, garante que “não iremos acabar a nossa intervenção aqui, pelo menos enquanto a comunidade assim o entender.

Demos com este projecto o pontapé inicial aos moradores da Quinta da Princesa, para fazerem valer os seus direitos, no que respeita à habitação, com a formação de Comissões de Moradores, que se organizem para promover a reparação dos edifícios, em muitos casos, algo muito urgente.

Esses problemas estão completamente identificados e agora serão validados pela população. Não queremos continuar a falar dos problemas, queremos é soluções que envolvam as pessoas.”

Manuel Araújo, presidente da Junta de Freguesia de Amora, relembrou que “este não é um bairro social, ao contrário do que muitas vezes lemos na comunicação social. Trata-se de um bairro que foi construído na década de oitenta de habitações a custos controlados, e que na sua maior parte foi adquirido pelo IRHU, e outros são apartamentos de bancos e ainda uma terça parte de proprietários que compraram a sua casa.

Mas com o andar dos anos e a falta de manutenção, os problemas têm vindo a agravar-se, e é necessário que os moradores saibam como e a quem podem recorrer, bem como se organizem para as necessárias reparações, mas há que encontrar as soluções.”

O autarca identificou ainda outro problema, “o da sobrelotação de cada casa, que chega a albergar mais do que dois agregados familiares”.

Manuel Araújo também lamentou que “quando se fala da Quinta da Princesa, seja sempre pelos problemas que aqui acontecem. Mas o bairro não é apenas violência, este é um dos bairros com mais equipamentos no concelho, desde uma escola primária, uma creche, um clube recreativo, a um lar e a uma Unidade de Saúdes Continuados”.

Do projecto resultou a elaboração de um vídeo, e de uma revista que foi distribuída aos presentes, antes dos dois momentos de dança, proporcionados pela professora de dança cigana Vânia Carvalho, e de dança africana, pelo «Grupo Colaborativo de Mulheres», e do convívio com petiscos confeccionados por mulheres ciganas e africanas.


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