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Opinião

Ajudem A Ucrânia!

Uma crónica de João Pedro Leitão.

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João Pedro Leitão

Colunista Diário do Distrito

A União Soviética é a Bandeira dissimulada carreada por Putin em todas as suas ações, pensamentos mais profundos, até com isso deve sonhar. O imperialista assume o despotismo como modus operandi, advogando uma herança de restituir no matter what, uma espécie de ressureição hegemónica do bloco comunista, tendo sido a maior Nação do mundo arquitetada em 1922, com o elemento teleológico de combater a polarização do galopar capitalista. A URSS era formada por 15 países e vinha igualmente combater o atraso económico marcado pelos relógios de bolso com pilhas gastas dos czares russos, sendo estes absolutistas que governavam instrumentalizando um modo de produção feudal, no entanto Lenin marcou um passo de estruturação política e económica que permitiu à União Soviética um grande crescimento económico, imunizado pela crise de 1929 que derrubou as economias capitalistas. Já a Segunda Guerra Mundial foi disputada maioritariamente entre a URSS e os Estados Unidos, divididos entre os mindsets Capitalismo vs Comunismo, uma verdadeira guerra ideológica, tendo ambos vencidos esta. Todavia, esta polarização ideológica ou de representação coletiva de interesses, impulsionou a Guerra Fria (“conflito político-ideológico”) de 1945 e derivado à “igualdade de armas” o confronto bélico que permitia uma destruição bilateral foi guardado como trunfo? Deste evento a URSS ficou registada nos quadros de parede ao lado dos EUA como as duas maiores potências mundiais. Por conseguinte, a crise da URSS que sucedeu na década de 80 foi sinónimo de estagnação económica, política, queda de produtividade, elevação da corrupção, aumento dos preços a nível mundial enfraquecendo pouquito à pouquito a economia soviética. As reformas estruturais prometidas ficaram sempre como promessas, tendo sido elas a “glasnot” e “perestroika”, “transparência política” e “reconstrução da economia”, objetivos que não foram almejados por Mikhail Gorbatchev, o “comandante” da URSS em 85. A união soviética terminou em 1991 (existindo durante sete décadas) com a independência de nações “união” dissolvida pelo poder concentrado nas mãos de “Falsos Maomés”, tendo vencido os movimentos de autodeterminação.

Feita esta breve introdução histórica, podemos começar a compreender alguns porquês que urgem resposta para uma compreensão efetiva dos acontecimentos que nos últimos dias têm “enchido” os nossos olhos de tristeza, desilusão e têm contribuído para o inflacionar de números de espectadores ao lado das TVs. A estratégia ab initio de Putin foi a de arranjar à pressa argumentos/pretextos para iniciar uma invasão, com o fim máxime de anexar com “pesinhos de lã “a Ucrânia como já fez com a Crimeia (2014), uma vez que se o deixarem ele para lá irá caminhar e reconquistará a (URSS?) importância outrora que a Rússia tinha na Geopolítica mundial. Instrumentos bélicos não lhe faltam e já vimos que a paz mundial, o respeito pelos direitos humanos, o respeito pelo direito internacional é como ir à mercearia dizer que amanhã pago a cesta de frutas e nunca mais lá meto os pés. A relatividade está inscrita no seu ADN, e tudo se resolve com braços de ferro e teimosia que custará VIDAS, não talvez a dele. O diálogo para este ator político sempre foi uma distração que o EUA por exemplo não caiu e sempre proliferou este acontecimento como certo, por mais que todos nós em pleno século XXI e com anos e anos de paz não pretendíamos! Não o previmos por falta de informação, por subestimarmos o egocentrismo de Putin ou simplesmente não acreditávamos por ser um atendado contra a Humanidade?

Quando Putin reconheceu a independência de territórios do leste da Ucrânia, hospedados pelos separatistas pró-russos, os seus “fantoches russos”, foi aberta a porta de entrada alegadamente legitimada para dar o Play numa guerra de uma outra estratosfera. Estas autoproclamadas regiões são Donetsk e Lugansk, na região de Donbass, tendo ainda configurado um flagrante “delito” cometido aos olhos do mundo, violando-se princípios internacionais fundacionais da manutenção da paz mundial, como a integridade territorial e a soberania deste país (Ucrânia) Independente e Autodeterminado. Fazendo uma analogia micro do Status Quo, seria a mesma situação de eu ir a uma casa alheia e proclamar o imóvel como meu, no entanto no registo predial está inscrito como da pessoa X, e mesmo assim como eu quero muito aquela casa ou a tenho ou “rebento” com ela e ninguém “ganha”.

O imperialista Russo não quer à força toda que a Ucrânia se junte à NATO, uma Organização do Tratado (intergovernamental) do Atlântico Norte, assinado a 4 de abril de 1949, uma aliança militar que tem como escopo preservar a paz, cooperação, diálogo, estabilidade mundial, proteção do bem-estar e das pessoas, evitando-se mais guerras, mais mortes e mais destruição que é a soma destes elementos. Mas qual é o motivo deste receio? A boa fé não devia ser o pilar da circunstância humana? Putin crê que a NATO não se envolvendo tem uma espécie de Via Verde para com Taticismos e com inspiração em jogos de xadrez que em vez de peões é constituído por VIDAS, regressará ao imperialismo que regurgita, sendo ainda o segmento que pretende desenhar. Considero que a NATO eventualmente terá de intervir, uma vez que já pudemos observar que Putin se está a “marimbar” para as sanções económicas, sem prejuízo de estas terem de ser elevadas para um nível que a Rússia não consiga suportar e desgaste-se. Estas medidas foram potenciadas pela União Europeia, pelos EUA, pelo Reino Unido e os países soberanos até podem ser alheios a esta guerra, mas todos os dias a ver na TV morte, miséria e um país a ser dizimado, não podem ficar de braços cruzados e trocar de canal, visto que, importa sublinhar que a Ucrânia não solicitou nem incitou esta guerra, nem tem armamento de perto para se defender, “um Belenenses vs um Real Madrid”, tal não pode acontecer e infelizmente a diplomacia, o mecanismo mais importante de paz, não resultou.

A Rússia estando igualmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o seu poder de veto pode utilizá-lo como bem lhe apetecer, alimentando interesses próprios, sendo impossível a condenação deste País, no entanto poderá ser reencaminhada para a Assembleia Geral, sem embargo de que mesmo que passe a decisão não seria vinculativa. Temos efetivamente de repensar nos critérios de quem é que se pode sentar à mesa do Conselho de Segurança da ONU, países antidemocráticos não por favor! Putin ainda “assassinou” os acordos de (paz) minsk sem olhar para trás, uma decisão unilateral tomada de ânimo leve e com leviandade.

Há anos que foi colocado na equação comunitária a criação de um exército europeu, mas até agora continua a ser uma quimera. Esta política teria como premissa a garantia, tal como a vigília da paz e segurança, reforçando-se assim a política europeia comum de defesa que efetivamente pudesse atuar quando algum dos seus protegies fossem alvo de ataques bélicos ou para assegurar a blindagem da ordem mundial, atuando sempre que um Estado do mundo estivesse desprovido de um escudo protetor, sendo a “presa” indefesa que não tinha a Guerra na sua bucket list. Nestes casos não haveria burocracia obstrutiva ou juridicidade que se impusesse ao bem jurídico vida.

O impacto na economia mundial poderá ser fracturante, gerando-se mais inflação, subida das taxas de juro, aumento do custo da energia, sem prejuízo da “queda livre” dos mercados russos. Não obstante, as dependências que a União Europeia possui deste país ou de outros não pode continuar num ciclo vicioso e perene, não só ao nível do gás “russo”, petróleo, cereais, produtos agrícolas e fertilizantes, entre outros ingredientes que todos juntos darão origem a uma disrupção singular, sem embargo considero que a União Europeia tem de dar um STOP à dependência de recursos exógenos, à importação desmedida e começar a impulsionar o mercado interno, incentivando a criação de recursos fundamentais que nos tornem “autossuficientes” e uma União Exportadora prescritiva de “receitas” que não nos tornem em “muletas”, nem numa  economia ténue “dopaminada”.

Não nos podemos olvidar da solidariedade mundial sequente de uma nova diáspora iniciada por esta nova batalha. Os países têm a missão dorsal de acolher os cidadãos ucranianos nas suas Civitas e conceder-lhes condições para que possam ter a paz e a dignidade humana que a vida concede ao Ser Humano.

A incerteza, imprevisibilidade, a potencial 3 Guerra Mundial, as potências nucleares enfrentarem-se, a China juntar-se à Rússia, abrindo-se um precedente para conquistar Taiwan, o livro de história encontra-se em fase de edição e caberá aos protagonistas mundiais escrever qual o legado que querem deixar impresso ad eternum.

Termino com duas frases que considero capitais face ao contexto político internacional atual, sendo a primeira de Herman Melville, “Todas as guerras são infantis e desencadeadas por crianças.” Já à luz do pensamento de Erich Hartmann, “A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam, se matam, por decisões de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam.”


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