“Ai, Costa, a vida costa!”

Artigo de opinião de Pedro Guerreiro Cavaco, acerca da actual governação de António Costa.

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Esta semana um artigo de Pedro Guerreiro Cavaco.

Quem não se lembra da frase do actor Pedro Pinheiro, o Chefe da Esquadra de Polícia da série televisiva Malucos do Riso?

A frase faz hoje mais sentido que nunca.

Costa, o Primeiro-Ministro, é-o sem ter ganho eleições, o que abriu um precedente na política portuguesa que não terá fim, terminando com uma tradição que remontava aos primórdios da jovem democracia em portuguesa.

Costa, conhecido por Babush entre os seus próximos, coligava-se na Assembleia da República aos parceiros que lhe permitiram a estabilidade governativa, PCP e BE. Parceiros esses que hoje, assobiam para o ar, fazendo crer e parecer que nada têm com isto. Têm, têm… têm pois… com todas as consequências, mesmo internas, que essa opção teve. A política é tão engraçada que o governo socialista é criticado hoje por Catarina e Jerónimo.

António Costa entrou então coligado na base e encontrou um país bem diferente do que Passos herdara de Sócrates. Se Passos encontrou um país ligado à máquina, Costa recebeu-o com saúde.

Era expectável que Costa fizesse o que fez e teve alguns méritos – não os retiro – na governação com foco, a meu ver, no tratamento do défice. Mas hoje, Abril de 2019, tudo o que seja uma obsessão por aquele é um absoluto disparate.

À data em que escrevo estas linhas, o nosso Primeiro anunciou que a baixa de impostos não é uma prioridade. Não?!? É importante dizer o seguinte. Se os impostos fossem reduzidos não haveria propriamente uma baixa real, pois António Costa encontrou os impostos nivelados e o que fez foi aumentá-los. Se hoje os baixasse ficariam como os encontrara. Ficou clarinho?

Mas não. O governo insiste em não baixar a carga fiscal (nem tão pouco – pasme-se (!) a taxa de IVA que continuamos a pagar na electricidade), numa época em que existe desafogo orçamental e onde a troika já nem nos binóculos se vê. Retomando, para o nosso Primeiro Ministro a prioridade são o investimento público, melhoria dos serviços públicos e redução da dívida. Vamos ser sérios, quando pouco se investiu é natural que se queira investir mais. Não se pode é fazer uma bandeira da inércia e o PS está a fazê-lo. É fácil anunciar investimento quando não investiu ou investiu pouco. Exemplo maior? Saúde!

O que os portugueses queriam – a par do investimento no pós desinvestimento – seria na verdade uma redução significativa dos impostos, porque há margem para isso, não fosse Centeno alguém obstinado pelas metas do défice, indo além (muito além) do que era obrigado. Mas se Centeno é assim, Costa manda em Centeno e deveria beneficiar os portugueses com um efectivo alívio da carga fiscal.

Estamos todos muito cansados de pagar. Pagamos tudo e um par de botas. E não há visão. Por exemplo, não se percebe quão importante seria baixar a carga fiscal das empresas no propósito de serem pagos maiores salários e haver maior contratação. Vemos tudo muito pequenino.

Cito Carlos Guimarães Pinto que, no anúncio do Movimento 5.7 a que tive o gosto de assistir, diferenciou a esquerda da direita numa simpática alusão à doçaria. Disse Carlos Guimarães Pinto que se tivéssemos um bolo, a esquerda repartiria-o por todos; a direita fá-lo-ia crescer. E essa é a grande diferença. Estamos estagnados! Escreverei um dia sobre a Europa. Onde estamos nós na comparação aos outros países?

Neste Portugal dos pequeninos do PS, há uma actual ofuscação pelo passe social (medida boa para muitas famílias que os partidos de esquerda avocam como responsáveis, o que faz da esquerda um delírio completo), não se percebendo que o governo poderia e deveria ir muito além. Não nos bastamos com o passe social, ainda que a medida em si seja boa.

Uma palavra, última, para o nepotismo. Há um incómodo com a denominada “familygate”. Já todos sabíamos que o Partido socialista era uma família. Mas não uma família assim. O matutino espanhol ABC escreveu mesmo o seguinte título: ”Uma rede de nepotismo sem precedentes em toda a Europa”.

Há uma real preocupação socialista em relação às eleições pois teme-se que a rede familiar se estenda às listas de deputados. Independentemente disso, que é um ainda uma incógnita, parece-me que o PS será efectivamente penalizado, haja ou não extensão para a AR, porque os portugueses não gostam. E se alguém pensa que os portugueses são tolinhos, desengane-se.

Dir-se-á – como li – as pessoas nomeadas não são competentes?

Serão. Penso que sim.

Mas cito Pedro Santos Guerreiro, no Expresso: «O exemplo de Mariana Vieira da Silva é nisso bom: ninguém pôs em causa a sua competência política, mas há milhares de licenciados em sociologia como ela que trabalham em cal centres».

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