AEROPORTO – ‘Uma solução a curto prazo válida para longo prazo’

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Foi esta tarde assinado na Base Aérea do Montijo o acordo de financiamento para a expansão

da capacidade aeroportuária de Lisboa, que irá englobar o alargamento do aeroporto Humberto Delgado e a construção de um novo aeroporto no Montijo, num investimento que rondará os 1,15 mil milhões de euros até 2028.

«Um marco importante para a expansão da capacidade aeroportuária nacional» foi a opinião unanime dos intervenientes, entre eles o primeiro-ministro António Costa, que destacou “o custo imenso que o país pagou por durante cinquenta anos, desde que se iniciou a discussão sobre um novo aeroporto, não ter concretizado o projecto.”

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O primeiro-ministro frisou ainda que “este seria um bom case-study sobre o que não se deve fazer em termos de projectos: cinquenta anos para uma decisão, mudando o sentido a cada Governo. Mas agora está tomada e há que colocá-la em prática, embora tendo em conta as duas condicionantes: o resultado do Estudo de Impacte Ambiental e a segurança aeronáutica.”

António Costa congratulou-se por “termos chegado a uma solução com apoio de autarcas, Estado e Força Aérea, e isto irá permitir a Portugal não apenas melhorar a oferta em termos turísticos, mas também desenvolver outras actividades económicas e aproximar os portugueses na diáspora. Esta é uma solução a curto prazo válida para longo prazo.”

Na sua intervenção o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, salientou o “momento marcante que hoje aqui vivemos, precisamente cinquenta anos depois de se começar a discutir um novo aeroporto, o que aconteceu em 1969, e após 17 localizações possíveis alternativas, que foram estudadas e abandonadas”.

Para o governante “o novo aeroporto do Montijo será seguro e ambientalmente sustentável, porque serão implementadas todas as medidas do Estudo de Impacto Ambiental. Um qualquer aeroporto ou cumpre as regras ambientais ou não existirá. Tudo será executado em conformidade e segundo as medidas amplamente estudadas e chega de hesitações porque este é o momento de avançar.”

Presentes na cerimónia estiveram também os presidentes das Câmaras Municipais de Alcochete, Barreiro, Lisboa e Montijo, com Fernando Medina a dar “os parabéns à ANA e ao Governo pela decisão para resolver um dos principais problemas de desenvolvimento económico do país”, citando depois dados sobre o sector do turismo.

Nuno Canta, edil do Montijo considerou este “um dia histórico com um projecto que trás uma visão estratégica para a região e que o Montijo tem o prazer e a honra de receber” e lembrou a necessidade de investimento em acessibilidades e uma maior aposta “no turismo fluvial, aproveitando o estuário do Tejo, que necessita voltar a ser olhado como um ponto de ligação”.

Nicolas Notebaert, CEO da VINCI Concessions e presidente da VINCI Airports garantiu que “não haverá custos para os contribuintes portugueses, porque o investimento será privado” e frisou ainda que “este projeto e este investimento que anunciamos hoje confirmam os dois principais compromissos que assumimos há 6 anos, quando nos candidatámos pela primeira vez à privatização da ANA: contribuir para o desenvolvimento da economia portuguesa através do aumento do tráfego e investir em infraestruturas para apoiar o crescimento futuro.”

Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não! realizou protesto

Cerca de cinquenta pessoas manifestaram-se hoje à entrada da BA6 num protesto organizado pela Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não!, contra a escolha daquela base aérea para aeroporto complementar ao de Lisboa e entregaram ao Governo um memorando defendendo a construção no campo de tiro de Alcochete.

Os documentos foram entregues ao assessor do primeiro-ministro e apresentam um conjunto de razões «que nos levam a dizer que a opção pelo Montijo é a pior das opções. Se houvesse uma espécie de concurso para escolher a pior sítio, era o Montijo que era eleito, de certeza absoluta, por todas as razões: ambientais, saúde pública, tudo aquilo que possamos imaginar», disse à agência Lusa José Encarnação, da plataforma cívica contra o novo aeroporto no Montijo, no distrito de Setúbal.

Presente no protesto, o presidente da Câmara da Moita, Rui Garcia (CDU), um dos municípios que deverão ser fortemente afetados pela construção do futuro aeroporto do Montijo – por ter dezenas de milhares de pessoas a viver na Baixa da Banheira, na zona debaixo do cone de aproximação e de descolagem do futuro aeroporto -, disse que “o país vai pagar caro” por esta opção.

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