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Advogado lança carta aberta aos ‘responsáveis da Festa do Avante!’

Advogado lança carta aberta aos ‘responsáveis da Festa do Avante!’

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A realização da Festa do Avante! este ano não está a ser um tema consensual na sociedade portuguesa.

Se por um lado o PCP, entidade organizadora da Festa que completa este ano a sua 44.ª edição, garante que todas as medidas de segurança e higiene estão asseguradas, por outro várias são as vozes que se levantam contra a realização do evento em plena pandemia de covid19.

Agora foi o advogado Paulo Edson Cunha, que no passado concorreu pelo PSD à Câmara Municipal do Seixal, na qual esteve dois mandatos como vereador, que lançou um apelo para uma subscrição a uma carta aberta dirigida aos «responsáveis da Festa do Avante!».

No seu perfil do Facebook, Paulo Edson Cunha dirige-se aos «seixalenses e todos os demais que concordarem com o que aqui vou escrever:

Tem-me chegado ao conhecimento, para além da desaprovação, incompreensão e até revolta pela decisão da Festa do Avante ir mesmo realizar-se (a não ser que a providência cautelar que o Carlos Valente interpôs), muitos casos de comerciantes que vão fechar os seus estabelecimentos, sobretudo nas imediações da festa, bem como de populares, que tendo possibilidades, vão sair do Seixal nessas datas.

Ora, não podemos ficar indiferentes a este “Status Quo” e por isso venho desafiar todos os que queiram subscrever esta carta aberta a, simplesmente, dizerem que o querem fazer.

Assim, quem quiser subscrever e estiver de acordo, apenas tem de fazer duas coisas, longe de quaisquer formalismos obrigatórios, ou concordar num comentário, subscrevendo, ou mandando uma mensagem, com concordância ou partilhando.

Deixo-vos o desafio de tentar demover um acto que reputo de muito grave e atentatório da nossa saúde.»

Carta Aberta AOS RESPONSÁVEIS DA FESTA DO AVANTE

Exmos. Senhores Responsáveis pela Festa do Avante (quer seja o próprio partido, quer seja quem autorizou a festa),

Nada nos move contra a Festa nas suas diferentes dimensões:

Nem a politica, nem a cultural e associativa, nem qualquer um dos restantes propósitos que a festa alcança, mas compreendam, também nada nos move contra os Festivais de Verão, contra os Jogos Olímpicos, contra o Campeonato da Europa ou contra as cerimónias dos Óscares, a verdade é que todos esses eventos foram cancelados ou alteraram os seus modelos, sendo este o único que não o fez. Essa é a questão. Não façam de vítima, não politizem uma questão que não é política.

Têm direito de fazer uma reunião política? Têm. Mas como os responsáveis pela Festa sempre apregoaram e sempre defenderam, esta não é unicamente uma Festa política – é muito mais do que isso. E todos o sabemos. O vosso Slogan – Não há Festa como esta – feliz, aliás, quer dizer mesmo isso. Mas o argumento que tem levado milhares de pessoas à Atalaia (mais de 100 mil nos anos anteriores) é o melhor argumento para que este ano não haja festa.

Nada nos move contra o partido, nem contra o Governo, mas já não podemos ficar indiferentes e calados perante o perigo a que todos vamos estar sujeitos. O Seixal tem uma população de cerca de 160.000 habitantes, o que já a torna, de per si, uma zona permeável ao vírus, face à elevada densidade populacional. O Seixal integra a AML e é, em termos populacionais, o segundo concelho do distrito o que nos leva a pensar se não estarão criadas as condições para a tempestade perfeita até porque os casos estão a subir de forma assustadora. Não posso por isso deixar de perguntar:

Aos 160.000 habitantes do Seixal querem juntar, em 3 dias, mais 30 a 40 mil pessoas? É que estas pessoas circulam pelo concelho. Colocando-se a si próprios e a todos a nós em risco. No caso dos “festivaleiros” o risco é consciente, assumido e por isso é da sua responsabilidade, mas e a população do concelho? Quais as defesas que a população tem para fazer face a esta ameaça?

A população do Seixal vive há anos a reivindicar um Hospital, servindo-se de um Hospital Garcia de Orta, já de si sobrelotado, pelo que é mais um argumento para que não se arrisque.

O Governo, antevendo o que aí vem de perigo, até já decretou o Estado de Contingência a partir de 15 de Setembro.

Os comerciantes do concelho, sobretudo na zona da Amora, apesar das muitas dificuldades e das pressões que têm sido feitas, decidiram quase maioritariamente fechar os seus estabelecimentos nos dias da Festa. Porque será? Por medo, mais uma vez não se trata de ser contra a Festa, trata.se de ter medo das consequências de uma iniciativa que decorre indiferente à pandemia.

Nós, cidadãos do Seixal, temos medo de ver o nosso concelho invadido por milhares de pessoas, que atendendo ao histórico de frequentadores do Avante, muitas delas jovens, com poucos cuidados, pouca consciência social (analisem-se os números da urgência do HGO dos anos anteriores e perceberão o que queremos dizer) e que vão em apenas três dias acrescentar pelo menos mais um terço à nossa já elevada densidade populacional, com a agravante de se fixar praticamente numa ou duas únicas freguesias (Amora e Seixal) pelo que exortamos aos responsáveis que repensem esta autorização: ainda vão a tempo de evitar males maiores e ganhar o nosso respeito e aplauso.

O risco de realizar uma iniciativa complexa como a “Festa” neste contexto não compensa. O preço político a pagar por possíveis focos de contágio que venham a ser identificados é demasiado alto.

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3 Comentários

  1. Por favor não façam a festa este ano, terao oportunidade de se reunir e festejar posteriormente, é um desrespeito para todos continuarem a insistir na sua realização em tempos de pandemia. Pela saúde de todos por favor não a realizem este ano. Obrigada

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