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Administração do Hospital Garcia de Orta garante que urgências pediátricas não encerram

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A Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal – CUSCS convocou para o final desta manhã uma conferência de imprensa para contestar o possível encerramento das urgências pediátricas no Hospital Garcia de Orta, algo que a Ordem dos Médicos também já havia alertado, conforme o Diário do Distrito noticiou.

José Lourenço, em representação da CUSCS, referiu que “não sabemos a razão do possível encerramento, mas decidimos lançar este alerta antes de ser um facto consumado, o que se pode vir a tornar dramático, tendo em conta que os ACES encerram a partir das 20h00.

A política de não financiamento do Serviço Nacional de Saúde desde 2007, com o fecho dos SAP, está a levar a esta situação de ruptura. No caso do Hospital, levou a problemas de financiamento, e agora coloca-se a perspectiva de encerramento das urgências pediátricas a partir do dia 13 de Abril por falta de profissionais.

O que sabemos é que não são dadas condições de trabalho a estes, têm saído vários e mesmo com a abertura de concursos, os médicos não querem vir para o HGO. E deixa ainda o alerta:

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), João Proença, aponta o dedo ao Conselho de Administração do HGO, “que permitiu que o hospital se transformasse num hospital de urgências mas sem condições para tal, em vez daquilo que sempre foi a ideia do Dr. Torrado da Silva, um hospital de especialidades. É um escândalo que um hospital não consiga atrair médicos, quando no passado vinham pessoas de todo o país para aqui fazerem a sua formação e especialização.

Por outro lado, temos os Centros de Saúde sem serviço de urgência, porque as ACES achavam que os profissionais iriam trabalhar horas extraordinárias sem receberem.”

João Proença acusa ainda a administração do HGO de “preferir contratar médicos em vez de contratar. Temos 1 a 2 chefes de equipa a contrato e a responsável pelos Recursos Humanos recorre depois a empresas de fora para cerca de 80 a 90 por cento dos médicos.

E depois querem que os médicos trabalhem 24 horas, criando situações insustentáveis e de conflitualidade, devido à incapacidade deste Conselho de Administração.”

Relativamente ao encerramento das urgências pediátricas, deixa o aviso “se não estiverem pediatras nos serviços de urgência, os enfermeiros não irão fazer triagens”.

Administração nega encerramento de urgências pediátricas

Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração do HGO

Após a conferência que teve lugar no exterior do átrio principal do HGO, os jornalistas foram convidados a colocar questões a elementos do Conselho de Administração.

Daniel Ferro, presidente do Conselho de Administração do HGO admitiu que “ocorreu uma diminuição de recursos nos últimos meses” e garantiu que “entre Abril e Setembro serão tomadas medidas transitórias para reparar a situação, e em breve será aberto novo concurso para quatro vagas, com entrada imediata para três médicos, com possibilidade para mais um.”

Questionado sobre o facto de o anterior concurso não ter obtido respostas dos médicos, frisou que “iremos dar mais garantias porque os serviços nessa altura já terão sido reforçados”.

O presidente do CA do Hospital negou ainda que se esteja a ponderar o encerramento das urgências pediátricas, optando por frisar que “este sempre foi um serviço de qualidade, embora com sobrecargas”.

Também negou o facto de que a maioria das actuais contratações se baseiem em contratação a empresas. “Esse recurso representa apenas 2 por cento do funcionamento do HGO, e que em Abril, para suprir as falhas, poderá ir aos 3 a 4 por cento, o que não será nenhum drama”.

Também Paula Breia, Diretora Clínica do HGO negou que “se estejam a negar atendimento a crianças após triagem que defina que não se tratam de doenças agudas. Todas as crianças que aqui chegam, são atendidas, sendo que nos casos não graves, os pais podem ser encaminhados para posterior atendimento nos seus Centros de Saúde”, e aproveitou para referir a nova campanha que o HGO e o ACES Almada / Seixal vai lançar, para evitar as ‘corridas’ às urgências hospitalares.

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