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Opinião

Acessibilidades… De Aldeia Galega a Montijo

Uma crónica de Virgílio Oliveira.

Montijo, sem qualquer sombra de dúvida encontra-se geograficamente bem posicionado em termos de comunicações terrestres para que possa expandir-se, criando mais e melhores acessibilidades e chamar a si o verdadeiro estatuto de cidade, que tem vindo adquirir muito timidamente.

Foi mesmo devido à sua posição estratégica, no terreno, que em Aldeia Galega do Ribatejo o Correio-Mor Luís Afonso estabeleceu, em 1531, a sede da Posta do Sul.

Nessa altura o desenvolvimento económico de Aldeia Galega foi surpreendente, excedendo mesmo todas as expectativas para a época.

Sendo a acessibilidade, o grau relativo de facilidade com que se atinge determinado lugar a partir de outro, ou seja, é a maior ou menor facilidade, em termos de custos, o grau de acessibilidade está directamente relacionado com o número de ligações directas . Quanto maior for o número de ligações directas maior será a acessibilidade.

Neste âmbito, uma localidade desenvolve-se sócio-cultural e economicamente, quanto mais e melhores forem as suas acessibilidades.

Tenha-se em consideração o notável aumento populacional [para a época] de Aldeia Galega do Ribatejo quando foi instalada na localidade a sede principal da Mala Posta do Sul, pelas excelentes acessibilidades já então existentes.

Principal via de ligação entre a Capital e o sul do país

Na altura, Aldeia Galega do Ribatejo encontrava-se situada na principal via de ligação entre a Capital e o sul do país. A importância desta via de ligação é mostrada num Decreto emitido durante o reinado de D.Maria II, o qual afirmava :”… as primeiras estradas a reparar são as de Aldeia Galega do Ribatejo … pela sua grande importância para a economia do país …”  Exemplo da chamada Estrada Real, [conhecida ainda hoje, em parte, pelo mesmo nome] que sofreu na altura significativos melhoramentos, por ser considerada uma das vias mais importantes do Reino.

Já em 1852, para descongestionar o fluxo populacional existente na Vila de Aldeia Galega do Ribatejo, e para permitir um rápido serviço de correio e transporte de pessoas [fazendo um eixo da Capital para o Sul] o governo mandou construir uma ponte-cais com 314 metros de comprimento. Estava criada assim, uma nova acessibilidade que viria a ser determinante, na época, para a Vila.

Seguiram-se depois outras acessibilidades, como a construção do Caminho de Ferro do Sul e Sueste [decretado em 1853 e iniciado em 1855].

Estas novas vias de comunicação, viriam a contribuir decididamente para o maior desenvolvimento da Vila, que no início do século XX registava já um crescimento importante, quer em termos culturais, quer em termos económicos.

Mas este foi o passado, com algumas semelhanças ao presente!

Quando sobre uma determinada urbe, já com algum fluxo considerável de pessoas e veículos, como por exemplo a cidade de Montijo, e se fala de trânsito, sinalização ou mesmo de itinerários, [vias de acessibilidade] e se arriscam algumas alterações, sempre tão necessárias, neste campo, não o é, feito ao acaso . Em termos técnicos tudo acontece alicerçado por um conjunto de circunstâncias que, diga-se aqui, em abono da verdade, muito pouco gente conhece, daí que por vezes surjam as “normais” contestações que, pelo motivo referenciado, são quase sempre infundadas em muitas das vezes.

As sub-áreas conhecidas por “Central Busines District”

Todos sabemos que cada cidade tem uma morfologia própria e é difícil, ou mesmo impossível, encontrar homogeneidade entre duas cidades, próximas ou mesmo afastadas.

Assim também na questão do trânsito e acessibilidades não pode haver comparações possíveis entre cidades. Mas, e isso convém aqui referenciar, pode haver uma aproximação se considerarem os meios e modos de sinalização a aplicar, ao assumirmos algumas redes de itinerários comuns.

Desde o centro denso e compacto, passando por algumas ruas estreitas, hoje transformadas, parte delas, em zonas de “exclusividade” pedonal, até aos bairros “novos” da periferia (Saldanha, Borralhal, Esteval, Caneira …) deparam-se itinerários tão variados e antagónicos como variadas são as serventias de cada um deles, mas sempre unidos, em termos de acessibilidades, entre si.

Montijo caracteriza-se fundamentalmente pela variedade de formas de utilização das suas vias: internas, onde predominam os fluxos de veículos e peões, motivado pelos sectores Secundários, de pequena e média dimensão e pelo sector Terciário que se tem vindo a desenvolver em Montijo, apesar de condicionado pelo grande pólo terciário que é Lisboa.

Um dos problemas que havia nas últimas décadas, era fazer-se circular os veículos em todas as vias por todos os sentidos e de todas as formas possíveis. Isso, veio inevitavelmente, com o aumento do parque automóvel a causar bastante embaraço para a circulação automóvel e veio também a aumentar os índices de poluição. Entre as soluções encontradas apontaram-se as da circulação de Trânsito de Sentido Único  e a organização que contorne as sub-áreas conhecidas por “Central Busines District” [CBD] – muitas das vezes conhecido com o nome de baixa ou centro citadino, localizado no centro das cidades, onde pode existe a maior concentração de Comércio e Serviços, a área mais intensa de tráfego rodoviário “morto” e onde o fluxo de peões tem maior expressão – com parques para estacionamento de automóveis na periferia [interna] do CBD, e as ruas “reservadas” à circulação de peões [ que constituem o centro do CBD das cidades modernas ] .

Tudo isto deve ser considerado, já que um dos mais críticos problemas do CBD continua a ser o acesso ao trânsito, e em termos de planeamento, há que reservar todo o CBD aos peões. Não se pode assim considerar que o CBD esteja a morrer ou a decair, apesar de tudo, mas e isso sim, a modificar-se, de acordo com o crescimento da cidade e espaço disponível.

Sistema Integrado de Transportes poderá ser alternativa

Por tudo isto, possivelmente uma das alternativas viáveis para o transporte urbano da cidade de Montijo, para baixar os ainda significativos fluxos de trânsito no núcleo da cidade, poderá passar por um Sistema Integrado de Transportes – SIT – que entre outras poderá trazer a seguintes vantagens:

-Modernização do cálculo das tarifas;

-Redução do custo da deslocação;

-Atendimento e melhoria no transporte às classes mais desfavorecidas;

-Distribuição social dos serviços e custos;

-Racionalização da frota disponível;

-Racionalização do uso do solo.

Cada vez mais as exigências crescem em termos de deslocação, o que poderá relançar os Transportes Públicos, que provocam menos danos ambientais, para descongestionar as áreas urbanas.

Mas para os utentes, considerem que vale a pena trocar o transporte privado pelo público, vai ser necessário melhorar as condições actuais de transporte e considerar cada meio como parte integrante de uma cadeia multimodal de deslocação, ou seja, é necessário definir o conceito de complementaridade, de forma a garantir aos utentes as condições adequadas de acesso e mobilidade.

É assim por todo este conjunto de situações entre outras aqui não especificadas, que assenta qualquer estrutura rodoviária desenvolvida de uma cidade, e onde obviamente Montijo não foge à regra. Todas as alterações necessárias nos mais diversos quadrantes devem partir sempre do pressuposto de que tudo é feito cumprindo-se as mais elementares normas regulamentares para a segurança de veículos e peões, para a fluidez rodoviária e para o desenvolvimento sócio-cultural e económico – caracterizado – da cidade, ao criarem-se mais e melhores acessibilidades, potenciando as já existentes e conseguindo-se assim uma muito maior mobilidade para as pessoas.

Sítios agradáveis para viver e trabalhar

Com a construção da “nova” travessia sobre o Rio Tejo [Ponte Vasco da Gama], Montijo ganhou um novo impulso com o melhoramento de algumas acessibilidades já existentes e a criação de algumas outras, que vieram sem dúvida, a permitir uma maior mobilidade externa e que constitui um factor de valorização a ter em conta, para se catapultar no desenvolvimento sócio-cultural e económico da cidade e numa melhor qualidade de vida.

Apostada numa “gerência” que integra na decisão, a preservação do ambiente, a criatividade, a mudança, a procura de novas competências, a agilidade nas relações organizativas e institucionais, com o fundamento de que no futuro as cidades que apresentarem um bom desempenho ao nível da preservação do ambiente, da qualidade de vida humana, associado à cultura, ao recreio e à vida social, serão eleitas como sítios agradáveis para viver e trabalhar.

Montijo com novas acessibilidades, estrategicamente posicionadas, adquiriu centralidade com a eliminação de distâncias, estando em condições de encarar o futuro na perspectiva de se transformar numa centralidade de grande qualidade.

Apenas, no entanto, há que racionalizar os meios para se atingirem os fins.



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