A urgência das urgências

Esta semana, um artigo de opinião de Ana Clara Birrento, vice-presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Setúbal.

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Ana Clara Birrento, vice-presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Setúbal, congratula-se pelo estudo acerca do Hospital de São Bernardo, Setúbal.

 

Já este ano, os Setubalenses foram agradavelmente surpreendidos (assim pensamos), com uma notícia veiculada em vários órgãos de comunicação social local e nacional sobre um estudo independente efectuado pela Associação de Defesa do Consumidor DECO que contou com a colaboração da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, sobre o tema dos internamentos e consultas.

Dizia esse estudo que o Hospital de S. Bernardo foi identificado pelos utentes como um dos melhores hospitais do país nas áreas referidas, obtendo 98% de satisfação.

Ora, sabendo nós o caos que dia após dia ouvimos utentes, médicos e enfermeiros relatar, sobre a falta de recursos financeiros, materiais e humanos, ter uma notícia destas só nos pode deixar orgulhosos e dar os parabéns a todos os homens e mulheres, às equipas médicas e de enfermagem, equipas técnicas, administrativas e auxiliares, que lutam pelo bem estar do seu próximo.

Não vamos hoje aqui escrever dos prejuízos para as pessoas causados pelas greves chamadas cirúrgicas dos enfermeiros que só entre Novembro e Dezembro de 2018 deixaram cerca de 700 cirurgias por fazer, e este ano já contam com cerca de 120, no Centro Hospitalar de Setúbal. Nem vamos escrever sobre as cativações que este Governo e o seu Ministro das Finanças têm feito nas várias áreas, que têm possibilitado o equilíbrio do défict, sobre o qual os socialistas fazem uma bandeira em Portugal e na Europa, mas que têm deixado em estado de emergência a Educação e a Saúde, para nomear só estes dois.

Não vamos escrever sobre isto, porque também sabemos que há muitas outras razões ao longo do ano para haver cirurgias adiadas (falta de anestesistas, pioria da condição do doente, etc.), muitas outras greves(conviria, se calhar lembrar que o Governo minoritário do Partido Socialista apoiado pelas Esquerdas tem sido alvo de mais greves do que o Governo do PSD/CDS que nos governou nos tempos muito difíceis da troika). Também sabemos da incapacidade de alguns Ministros em negociar, em sair da sua autoridade tutelar e de dialogar. O autoritarismo nunca tem razão e o CDS-PP virá a ter razão se a Nova Lei de Bases da Saúde for aprovada assente numa base ideológica cega, e não no paradigma do melhor sistema para a o Serviço Nacional de Saúde, com a possibilidade de respostas de Hospitais como Entidades Públicas Empresariais, ou como Parcerias Público ou Privadas, ou até em colaboração com o Sector Social e Solidário.

Do que queremos hoje falar é da reunião tida a semana passada com o Conselho de Administração do referido Centro Hospitalar de Setúbal, do deputado do CDS-PP por Setúbal, Nuno Magalhães, do Presidente da Comissão Política Distrital, João Viegas e da Vice-Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP em Setúbal, Ana Clara Birrento, no Hospital do Outão. Um lugar icónico para os Setubalenses, com um dos melhores serviços de Ortopedia, mas infelizmente num espaço que não foi construído para ser hospital. Ainda assim, quem ali trabalha é do melhor que podemos encontrar nesta área, adaptando-se diariamente às condições do edifício para prestar os melhores cuidados de Saúde.

Uma reunião cujo principal objectivo era ouvir, de quem são os actores e agentes desta área tão sensível no panorama social e político português, sobre o Estado da Saúde em Setúbal. Ouvimos os números de utentes em espera para consulta, sobretudo em algumas especialidades(o Estado ainda não conseguiu encontrar uma forma de fixar os jovens médicos que custam cerca de 100 mil euros na sua formação), as dificuldades financeiras com o maior corte orçamental desde 2010, onde a greve dos enfermeiros fez perder cerca de meio milhão de euros, os custos com pessoal devido à necessidade de admissão de mais pessoas resultado da passagem das 40h para as 35h de trabalho semanal. Obtivemos um retrato que não é muito diferente do resto do país.

O que é diferente neste Centro Hospitalar é pensar de forma integrada, bem ciente dos desafios e dos pontos fracos, e encontrar as oportunidades e os pontos fortes. E foi com grande satisfação que ouvimos propostas tão objectivas e fundamentadas como a necessidade de criação de Unidades de Saúde Familiar (USF), em detrimento das Unidades de Cuidados Primários (UCP), que são mais despersonalizadas. Há em toda a equipa que connosco reuniu a clarividência da necessidade de recrutar e encontrar mecanismos e incentivos de permanência de novos médicos, e de uma forte aposta de funcionamento integrado das Unidades Locais de Saúde. Trabalho Integrado é o conceito.

Isto, na opinião dos especialistas, aliviaria em muito aquele que é o grande problema em qualquer Hospital. E Setúbal não é excepção – as Urgências. Na campanha para as eleições autárquicas tivemos oportunidade de dar voz a esta necessidade e o ano passado a presidente do partido, Assunção Cristas, teve oportunidade de visitar o Hospital de S. Bernardo e a sua intervenção terá surtido efeito, pelo menos no desbloqueamento da verba para a construção da nova unidade de Urgências. Mas o que mais inovador, fruto de pensamento sobre a Saúde nos foi apresentado, foi um projeto piloto para identificar quem são os denominados hiperfrequentadores das urgências, ou seja, os que se dirigem às urgências 10 ou mais vezes por semana. Este rastreio, esta identificação do problema, leva a que, estamos certos, o Serviço de Urgências possa direcionar de outra forma os seus recursos, como por exemplo para a Consulta de Dia em todas as especialidades, como já faz, e fazer uma discriminação positiva das patologias, libertando tempo para os que verdadeiramente necessitam de intervenção urgente.

Pela forma inteligente, inovadora e clarividente o CDS-PP quer deixar um agradecimento pela disponibilidade demonstrada e pela forma crítica como esta equipa pensa a Saúde e encontra soluções urgentes para as Urgências

 

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