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“A preocupação não é apontar culpados, mas apurar a origem do problema”

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No início de junho, a população de Corroios, Seixal, foi afectada por uma contínua descarga de águas residuais numa das suas valas de águas pluviais, situação que chegou a ser levada por um morador à Assembleia de Freguesia, e que deu a conhecer o problema à Junta de Freguesia.

Já no início de Julho, a Câmara Municipal do Seixal e a Junta de Freguesia de Corroios colocaram vídeos e mensagens sobre a limpeza do local, e nestes imputavam responsabilidades ao concelho vizinho de Almada por não resolver uma situação que ocorre há vários anos.

O assunto foi referido pelo vereador almadense Miguel Salvado, conforme o Diário do Distrito reportou na altura, e na sequência dessas declarações, o presidente da Junta de Freguesia de Corroios quis também esclarecer o ocorrido.

“A principal preocupação da Junta de Freguesia não é apontar culpados, mas apurar de onde vem esta situação, a razão e o motivo, para colocar um travão e encontrar uma solução para o problema” frisa Eduardo Rosa.

“Não se trata de ter origem em Almada ou do Seixal, mas sim o motivo porque as descargas ocorreram durante um mês, se foi um acidente, ou se é uma situação premeditada e feita sucessivamente” admitindo que “infelizmente, as descargas pontuais de águas residuais nas várias valas em Corroios não são novidade, e isso não deixa ninguém contente, porque temos um sistema de saneamento precisamente para que nada disto aconteça.”

A vala de águas pluviais onde surgiram as descargas, tem um desnível o que levou a que os resíduos ali ficassem depositados “e só puderam ser retiradas com um carro-bomba, que retirou toda a água contaminada ali estagnada, que chegou a matar alguns animais e vegetação, despejando-a depois na rede de esgotos, que são encaminhados para a central de tratamento a ETAR do Miratejo, e depois com uma limpeza a jacto pelos Bombeiros”.

Relativamente às afirmações do vereador Miguel Salvado sobre os despejos surgirem abaixo da A1, “aquela linha de água que sai debaixo da auto-estrada, vem paralela a toda essa via desde o Feijó. Eu diria, pelo que sei e pelo que vi com os técnicos, que esta descarga virá dali.”

Uma das principais críticas do autarca vai para a falta de respostas “aos emails que enviei no dia 1 de Julho a dar conta do que se passava, para várias entidades, para a Câmara Municipal do Seixal e para a presidente da Câmara Municipal de Almada e Assembleia Municipal de Almada, para o SEPNA e para o IMAGAOT, mas não fiz qualquer envio para a APA.

Da parte da Assembleia Municipal responderam que o assunto era com a presidente, desta não recebi qualquer resposta, e do SEPNA responderam que tomaram conta da ocorrência. O que é certo é que depois de se terem enviado estes ofícios, as águas residuais deixaram de correr.”

O presidente da Junta criticou também as declarações do vereador do pelouro na reunião camarária em Almada “que disse que os despejos não provêm de lá, mas ao mesmo tempo refere que foi detectado um problema numa escola e que foi resolvido, e que está a fazer com os técnicos da Câmara Municipal descargas pontuais para limpeza da conduta. Mas afinal houve ou não problemas e durante quanto tempo? Há ou não descargas?”.

Uma questão que se levanta é se a Câmara Municipal do Seixal tem algum equipamento que possa ser utilizado para detectar a origem destas descargas, como robots com câmeras, ao que Eduardo Rosa respondeu que “não é fácil, mas sei que há determinados equipamentos que o conseguem fazer, mas é preciso que sejam feitos estes quando as águas estão a verter.”

Tendo em conta que as descargas são recorrentes, e já terão ocorrido durante a gestão CDU da Câmara Municipal de Almada, na altura existia outro tipo de diálogo entre as autarquias?

“Fazíamos o encaminhamento para a Câmara Municipal do Seixal, como em 99% dos casos que ocorreram, e que repito, foram casos pontuais e que ocorreram em todas as valas que atravessam Corroios (são sete que vêm desaguar a Corroios, só da Sobreda vêm quatro valas).

Quando são casos pontuais, sabemos que é praticamente impossível detectar a origem, mas este foi um caso em que durante mais de um mês houve descargas contínuas, o que nunca acontecera.

Houve quem usasse o caso, como o PS Seixal, que até agora nunca se havia pronunciado sobre o assunto, mas veio a praça pública quase a dar a entender que o Seixal quer culpabilizar Almada, o que não é verdade.

Foi o próprio vereador Miguel Salvado que admitiu terem tido problemas na Escola da Alembrança, e que se tinham feito descargas para limpar a conduta. E sobre isso devia ter informado a Junta de Freguesia de Corroios.

Depois do que ouvi na reunião camarária de Almada, irei fazer nova comunicação à senhora presidente, para me explicarem que tipo de problema foi detectado na Escola da Alembrança, que descargas e a que horas, e porque acharam necessário fazer a limpeza da conduta, e também porque nem nos informaram do problema.

Da nossa parte apenas queremos o apuramento dos autores de um problema gravíssimo para a saúde pública, e não tem nada a ver com esta ou aquela Câmara Municipal ou com a cor política, apenas e só com garantir a segurança das populações.”

Vala de águas pluviais onde foi detectado o problema

Moradores queixam-se do cheiro

O Diário do Distrito conversou também com alguns moradores, incluindo Joaquim Frangão que tem relatado diariamente a situação à Junta.

“Passo ali e cheira-me mal, há mais de um mês. Já tem acontecido mais vezes, mas nunca desta forma, com um caudal razoável e com um cheiro insuportável. Esteve sempre a correr água fedorenta, e até pensei que fosse de alguma quinta onde há animais.

O que acho é que numa vila como Corroios, a cinco minutos da capital do país, não se admite ter água podre e lixo a correr a céu aberto numa vala que é para escoar as águas da chuva que depois vão dar ao rio.”

Outra moradora que passava perto do local quando procedíamos às fotos, mas preferiu não se identificar, disse que “eu passava e metia a máscara, mas mesmo assim tinha de ir a correr no passadiço por debaixo da autoestrada, porque não se conseguia respirar. E as pessoas que moram aqui, diziam que nem podiam abrir a janela.”

Outra situação algo curiosa para a qual o autarca chamou a atenção foi o que ocorria na vala da Rua da Casa do Povo, numa altura em que não tinha chovido, mas onde uma das partes visíveis da vala apresentava um fundo completamente seco e a pouquissimos metros adiante a mesma vala apresentava águas sujas e com cheiro, conforme o Diário do Distrito constatou no local.

Câmara do Seixal confirma origem do problema em Almada

Outra entidade que o Diário do Distrito contactou foi a Câmara Municipal do Seixal, para saber como comprova o município que as descargas provêm do concelho vizinho, obtendo como resposta que «a comprovação de que as descargas de águas residuais domésticas são oriundas de Almada foi feita em inspeção à rede no local, em coordenação com o Encarregado dos SMAS de Almada, quer presencial, quer telefonicamente.

A localização exacta dessas descargas caberá aos SMAS de Almada, dado ser essa a entidade responsável pela rede em causa. A Câmara Municipal do Seixal dispõe apenas da informação tornada pública pelo vereador Miguel Salvado, de que os SMAS de Almada terão verificado um entupimento na Escola da Alembrança, no Município de Almada.”

Sobre a monitorização das valas, tendo em conta que se trata de uma situação recorrente, a autarquia respondeu que «mantém uma monitorização constante da rede no seu território. Neste caso, dado não existirem dúvidas que as descargas de águas residuais domésticas na vala real de Corroios (também denominada vala da Sobreda), com fortes odores, tinham origem na rede do Município de Almada, foi enviado um ofício aos SMAS de Almada, no dia 2 de junho passado, reportando a situação e solicitando a devida intervenção.

Contudo, dado que cerca de um mês depois desta comunicação o problema persistia, a Câmara Municipal do Seixal enviou novo ofício aos SMAS de Almada, do qual foi dado conhecimento à Câmara Municipal de Almada.”

Acerca das declarações de Miguel Salvado sobre a saída de águas «terem origem já no Seixal, por baixo da A2, a resposta é que «não se confirma, porque na rede da Câmara Municipal do Seixal não se verifica qualquer entrada de caudais de águas residuais que tenham como destino a vala real de Corroios».

A terceira entidade contactada pelo Diário do Distrito foi a Câmara Municipal de Almada, mas ainda aguardamos uma resposta.

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