A Ponte e o Camaleão

Esta semana um artigo de opinião de Tiago Sousa Santos, presidente da JSD Distrital de Setúbal, acerca da mobilidade e promessa do governo de uma nova ponte entre a margem sul e a capital.

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O título podia ser de uma fábula infantil cuja moral da história seria a importância de nos ligarmos aos outros por um mundo melhor.

Mas não, hoje falo-vos do Partido Socialista camaleónico que se agarra à terceira travessia sobre o Tejo, camuflando-se, para confundir os utilizadores da Soflusa que nos últimos meses não conseguem atravessar o rio.

Não é por acaso que esta semana foi anunciada, mais uma vez, a ponte Barreiro-Chelas como um dos investimentos prioritários para o país. Não, este anúncio surge precisamente na altura de maiores constrangimentos no transporte fluvial e surge precisamente por causa disso.

O caos na Soflusa tem vindo a aumentar constantemente nos últimos dois anos, atingindo o seu ponto máximo com a recente guerra entre o sindicato dos mestres e a administração da empresa.

Tem aumentado porque o Partido Socialista passou todo este tempo a prometer um investimento de milhões sem que nunca o tenha feito ou, pelo menos, sem que se verifiquem melhorias nos barcos ou nos cais onde atracam.

Tem aumentado porque com a introdução do novo passe social, medida que é justa, mas que foi feita à pressa por motivos eleitoralistas, veio também um aumento do número de utilizadores para um serviço que era já manifestamente insuficiente.

Como o caos não para de escalar e como a revolta dos utilizadores tem atingido nas últimas semanas proporções nunca antes vistas, o Partido Socialista percebeu que podia aqui perder uns bons milhares de votos nas Eleições Legislativas de outubro deste ano.

Ora, percebendo isto percebeu também que tinha de abanar uma bandeira branca que acalmasse os ânimos. E a bandeira branca foi a muito desejada ponte, que hoje se soube que está nos planos.

A ponte é sinónimo de uma alternativa para as pessoas que utilizam o barco. Uma alternativa que, de carro ou de comboio, permite que os barreirenses e os moitenses cheguem à outra margem do Tejo muito mais rápido do que utilizando qualquer uma das opções atualmente existentes.

E é neste jogo de expectativas que o Partido Socialista quer jogar. Dizendo às pessoas, sem o dizer, que com o Partido Socialista, no futuro, poderão ter uma alternativa para ir trabalhar ou estudar em Lisboa.

Se o anúncio fosse sério e se a ponte fosse verdadeiramente vista como opção estratégica fundamental, então tinha de estar já definido se se tratará de uma ponte rodoviária, ferroviária ou com ambas as valências. E não está.

A mobilidade na Península de Setúbal tem de ser amplamente melhorada. É urgente a ponto rodoviária entre o Barreiro e o Seixal, é fundamental que se discuta a fundo a possibilidade de alargamento do Metro Sul do Tejo a outros concelhos, é urgente que se mova o Cais do Seixalinho para mais perto do centro da cidade do Montijo e é imperativo que a CP, a Soflusa e a Transtejo passem a operar de forma fiável, cómoda e eficiente.

Se houvesse uma verdadeira preocupação com a mobilidade estes eram alguns dos temas que o Partido Socialista apresentaria à população, porque são estes os principais pontos de mudança no panorama da mobilidade coletiva e pessoal na nossa região.

Ao invés, anuncia-se algo que não se sabe bem o que é e espera-se que o anúncio caia bem junto dos cerca de 700 mil eleitores que vivem e votam na região. Uns dizem que se lixem as eleições, os outros governam só a pensar nelas.

A ponte não ligará as margens tão cedo, mas o camaleão continuará a camuflar-se nela para se proteger do descontentamento daqueles que só querem as suas vidas normalizadas.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Mal dos Cidadãos que tal discriminação têm sofrido. A construção da TTT deveria ter acontecido há muitos anos pois era fundamental não só para estabelecer a ligação ferroviária entre o Norte e o Sul do País mas também para assegurar a ligação ferroviária à Rede Transeuropeia de Plataformas Logísticas garantindo assim que os nossos portos se pudessem posicionar como Porta Atlântica da Europa Continental e motor de uma pujante Economia Azul. Houve dinehiro para construir TRÊS PONTES sobre o Tejo de Sacavém a Santarém (Vasco da Gama, Lezírias e Salgueiro Maia) mas faltou para construir a mais urgente e estruturante. São assim os políticos que têm desgovernado o País. Desconhcendo ainda que é aqui “onde a Terra se acaba e o Mar começa” .

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