Opinião

A POLÍTICA

Uma crónica de Nuno Gonçalves.

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A política é uma arte nobre, são os seus intérpretes que muitas vezes a banalizam, e conspurcam.

A origem da “política” remonta a tempo imemoriais, mas os gregos definiam-na como a gestão dos assuntos da lis, ou cidade da antiguidade.

Indissociável da política esteve sempre a ideia de serviço à pólis ou comunidade, sendo os políticos os servidores da pólis e portanto do bem comum.

Mas como em tudo o que é humano, a nobreza da doutrina dos princípios é facilmente corrompida pela prática.

Hoje a política é percepcionada pelo povo como arte de o enganar, ou já nem isso, mas antes como um estado de decadência putrefacta que vamos tolerando, não já por acreditarmos, mas por simples mimetismo e medo da mudança.

Uma vez aqui chegados, os cidadãos da pólis vão-se afastando da política, descrendo na sua bondade e em suma interiorizando um estado de quase atrofia, no qual o voto é um mero formalismo.

É neste caldo que germina a semente do fascismo. Primeiro alimentando a descrença no sistema, criando nos cidadãos a esperança de que vai “limpar a casa”, para logo depois o suprimir, substituindo-o por uma nova ordem, com as consequências que a História nos ensina ou devia ensinar.

E tudo isto acontece porque os cidadãos se demitiram de o ser, preferindo a dormência do cativeiro ao desconforto da luta pela liberdade.

Uma sociedade exigente jamais permitiria que a democracia atingisse o estado de morbilidade em que vegeta, porque uma sociedade exigente promove o surgimento de políticos sérios e honestos.

Mas essa dormência é justamente o que tem permitido o assalto da política por toda a sorte de bandidos medíocres que se banqueteiam com o dinheiro dos novos escravos e por que por isso a cultivam desde as escolas com doutrinas que tolhem o pensamento livre e promovem o seguidismo e a apatia, ainda que trasvestidos de rebeldias da moda ou irreverencias balofas.

Porque no dia em que os cidadãos perceberem que para serem livres tem de ser responsáveis por essa liberdade, sem paternalismos nem redes, termos uma sociedade mais livre, mais fraterna e com mais igualdade.

Mas quantas vezes mais termos de repetir a história, o sofrimento e o desespero para finalmente aprendermos a ser livres?

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