Opinião

A Nova Via Laranja

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Esta semana regressam as crónicas de Pedro Guerreiro Cavaco.

As eleições do passado Domingo vieram confirmar os piores vaticínios aqui escritos, ou seja, uma derrota clara da direita, do PSD de Rio e do CDS de Cristas e, em contraponto, um crescimento da esquerda em sede parlamentar.

O PSD de Rio foi a votos fracturado. A (má) estratégia e as atitudes persecutórias tiveram o seu péssimo e igualmente previsto resultado. Mas pior que o resultado foi a ilação política retirada daquele, nomeadamente a justificação que Rui Rio deu no momento da derrota. Ficou-lhe mal apontar a culpa aos militantes do PSD. Foi, deveras, um momento inopinado. Vir reclamar o mau resultado apontando o dedo aos militantes foi uma emenda que saiu pior que o seu soneto que, de per se, já era mau.

É verdade que o PSD não teve os 20% das sondagens iniciais, mas isso não deve deixar Rui Rio orgulhoso. Nos dois embates eleitorais tidos, perdeu, sem apelo nem agravo.

Rio teve o mérito de fazer uma boa campanha e conseguiu, de certo modo, captar a simpatia de muitos; mas a estória não se faz somente de uma campanha, e o reflexo foi visto nas urnas.

Rio nunca vencerá uma eleição. É ponto assente. E o PSD não brinca aos segundos lugares.

No início do ano o PSD vai a votos, internamente. Será o tempo próprio para aparecerem pessoas com clareza, estratégia, sentido de posicionamento e enquadramento político, agregação, pujança, motivação e, acima de tudo, algo que não existe há muito no PSD, liderança. O partido precisa, mais do que um Presidente, de um líder.

E note-se, aconteça o que acontecer nessa eleição, será importante clarificar que o PSD não pode ser o Sporting da política, onde todos os líderes são atacados. Mas, no momento em que escrevo, estou a ser injusto ao afirmar que numa situação e noutra existe liderança, razão pela qual peço que relevem, pelo que quero acreditar que existindo, de facto, o caminho será suave e vencedor.

Perguntarão muitos se existe alguém no PSD com esse pefil? Seguramente. É prematuro falar em nomes, mas os mais atentos saberão o que penso sobre o tema e, estou crente, surgirão novidades em tempo e sede própria.

O estado do PSD nacional influenciou decisivamente a votação em Setúbal. Parabenizo os eleitos, de modo mais particular o meu amigo e Colega Nuno Carvalho. Sem embargo, penso que o PSD Setúbal se deverá reposicionar paralelamente ao PSD nacional, isto é, perceber se o resultado menos conseguido foi causa directa de um partido em cacos, ou se as linhas terão se ser repensadas para, em tempo e com tempo, convergir com uma esperada nova via laranja.

Tal trabalho decorre da necessidade de enfrentar, em 2021, uma batalha autárquica. Não seria pior pensar o futuro desde já.

No outro lado, o CDS. Cristas teve, a meu ver, a atitude mais sensata e meritosa, ao anunciar a saída. Escrevi em tempos muito recentes, nos meus artigos, sobre o tema e não me enganei. O CDS voltou a ser o partido do táxi. E isso é mau. Passou de 18 deputados (eleitos, é certo, na coligação PAF) para somente 5. O país precisa do CDS e um parlamento sem CDS é um parlamento pobre.

Todavia, ao contrário do PSD, não vejo naquele partido quem possa assumir uma posição de liderança, com carisma, que, mais importante que convencer os militantes, convença o país.

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No mais, de forma generalizada, um breve comentário. O parlamento contará na próxima legislatura com mais forças políticas (Chega, IL e Livre) ficando agora 10 partidos representados em São Bento.

O Bloco de Esquerda ficou estagnado no número de deputados eleitos, é um facto; mas consolidou-se como terceira força política no país. O mérito está nas boas campanhas que realiza. O Bloco sabe fazer campanha. Tem imenso mérito na forma como as faz e como delas retira dividendos. Quem observou Catarina Martins viu a estratégia assumida.

A isso não será indiferente o PCP (em coligação) que teve um péssimo resultado, perdendo 5 deputados. Jerónimo não pode continuar a ver fantasmas nos outros para justificar os seus maus resultados.

Um aparte sobre o PCP. Em Setúbal os resultados foram num sentido tal, que antevejo alterações substanciais nas próximas autárquicas. E quem não aproveitar, perderá uma oportunidade que se avizinha, para já, como única. Quem tiver ouvidos, ouça.

Uma palavra final para o PAN.

O PAN saiu claramente vencedor. É para mim, como cidadão, preocupante.

A par de medidas avulso e da simpatia que os seus dirigentes têm, porque têm, não há uma ideia para o país. Não se ouviu uma ideia sobre educação, saúde, cultura, economia, finanças, entre outras, durante a campanha. É um fenómeno. Parabéns aos eleitos, de modo particular à minha Colega Cristina Rodrigues, eleita por Setúbal a quem, a par do Nuno Carvalho, de modo particular, desejo os maiores sucessos.

Termino com uma palavra final para esta ideia nascida há 4 anos das coligações que, na aparência irremediavelmente, vieram inverter uma lógica de 40 anos.

Eu não defendo as coligações no pós-eleições. Uma coligação (sob forma de governo ou acordo parlamentar) é uma forma airosa, ainda que legal, de se obter o que por mérito não se conseguiu.

Dirão muitos que o modelo tido até agora (veremos o que será o futuro, pois no momento em que redijo este artigo não houve nenhuma novidade) é meramente um acordo parlamentar, não havendo coligação. Ninguém se iluda. A política antes de chegar ao “forno parlamentar” foi “cozinhada” e “temperada”. E quando assim é, há uma decisão de pares. Há coligação, não formal.

Se o povo português legitima um partido, ele fica legitimado. Se não tiver maioria, terá de saber lidar com isso e fazer acordos. Agora, ver o que se viu na Madeira (intervenção de Cafofo a querer ser o rei madeirense quando não lhe deram o trono), e as aritméticas que se fazem no território nacional, repugnam porque, a meu ver, falseiam os resultados. Se querem coligações, coliguem-se antes das eleições e apresentem-se dessa forma a votos. Assim não sendo, há uma inequívoca frustração das expectativas dos portugueses.

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