Opinião

“A mulher de César”, a morte da Constituição e a Guerra Civil Virtual!

Uma crónica de Isabel de Almeida

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No momento em que são escritas estas linhas o pais vive o rescaldo do anúncio de novas medidas restritivas a pretexto de controle da pandemia de COVID-19 que passam pela restrição de circulação entre Concelhos entre os dias 30 de Outubro e 3 de Novembro, a que se somam, caso a caso, medidas de condicionamento no acesso aos Cemitérios em Todo o Pais, considerando-se a existência de risco de contágio no decurso das habituais homenagens aos ente queridos que já partiram face ao Dia de Finados. Sendo também usual existirem programas de celebração do Halloween importados de referências populares da Cultura Norte Americana, ademais, aguarda homologação do Presidente da República Legislação que impõe a obrigatoriedade de uso de máscara na via pública a todos os cidadãos com idade superior a dez anos, desde que não seja possível garantir o distanciamento desejável de acordo com as determinações das autoridades de Saúde (dois metros), tendo sido eliminada a possibilidade de uso de viseiras desacompanhadas de máscara.

Sucede que, além da natural polémica que rodeia as medidas restritivas acima indicadas, e tendo presente que nem a própria comunidade científica é consensual quanto à percentagem de eficácia preventiva de contágio possibilitada pelo uso mais generalizado de máscara é natural que uma parte da população concorde com tais medidas e que outro segmento se oponha às mesmas, até porque a aferição da legalidade do respectivo processo legislativo já chegou à comunidade Jurídica Nacional, tendo a conformidade à Constituição da República Portuguesa suscitado dúvidas até ao Professor Jorge Miranda, conceituado constitucionalista e um dos mentores da actual lei fundamental.

Por entre acordos e discordâncias e a somar ao fantasma de uma morte ao menos anunciada (não só neste âmbito mas em várias outras hipóteses presentes e futuras de medidas a aplicar) da nossa Constituição, há todavia factos que são graves e que deveras nos entristecem (ou deviam entristecer e suscitar exames de consciência social), envergonham uns  e revoltam outros por serem inequívocos: veio a público que a Direcção Geral de Saúde autorizou a celebração de um casamento com duzentas pessoas que decorreu Sábado em Arruda dos Vinhos (quando estão tendencialmente limitadas estas cerimónias e, a fazer-se devem restringir-se idealmente a um quórum de cinquenta pessoas), pessoalmente como cidadã obrigada a cumprir proibições de conduta sob pena de desobediência ou coima muito gostaria de saber que critérios e motivos presidiram a esta excepção que além de incompreensível e injusta é discriminatória (Portugal tem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda? – atrevo-me a questionar); foi autorizada a realização do Grande Prémio de Formula 1 em Portimão na presença de público nas bancadas do autódromo em número autorizado até 27.500 pessoas considerando a DGS ser reduzido o risco (muito gostaria também que me explicassem, como cidadã nacional, nada orgulhosa de o ser diga-se em abono da verdade, em que moldes juntar 27.500 pessoas em bancadas tem risco reduzido, e na rua o estado de calamidade impõe limites de ajuntamento de pessoas até cinco indivíduos); e o terceiro facto, devido a uma manifestação decorrida no passado Sábado no Rossio em Lisboa de um grupo de cidadãos que se opõe à forma como são pensadas e aplicadas as medidas restritivas tendentes a reduzir o risco de contágio da pandemia em diversos contextos (e não sendo uma mera manifestação anti-uso de máscara como foi veiculado com pouco tacto ou muito sensacionalismo por vários órgãos de comunicação social) nomeadamente sendo este grupo de cidadãos crítico quanto às medidas em uso nas nossas escolas (existem relatos dramáticos de alunos e muitos pais desesperados em todo o país e pessoalmente acompanho ao vivo alguns casos de filhos de amigos meus) o certo é que pelas redes sociais assiste-se a uma violenta “Guerra Civil Virtual” entre quem concorda com o status quo e quem com o mesmo ousa discordar (e sendo perfeitamente legítimo o Direito a ter opinião diversa da maioria ou do que é politicamente correcto). A troca de insultos é absolutamente reveladora de várias coisas: a ansiedade e o medo que cortam a racionalidade de muitas pessoas; a falta de valores e de sólida formação moral e de etiqueta social de outros, a insanidade total de muitas outras pessoas. Vale tudo nas redes sociais, tudo ali é permitido, o insulto gratuito, o ataque pessoal, a humilhação e personalização de questões, os juízos de valor sem conhecimento de causa, as generalizações falacciosas, as tendências políticas extremistas a fazer-se anunciar nas intervenções escritas num ambiente geral tóxico que muito me faz recear pela paz social, e que seriamente me faz temer que estes conflitos sociais deixem o espaço virtual  e saltem para o nosso mundo real.

Acho que estamos a assistir a uma verdadeira bomba relógio em termos sociais e políticos, e temo que se possa chegar ao ponto de denunciar o vizinho que se esqueceu da máscara em casa, e que se possa mesmo partir para a agressão física por delitos de opinião.

Estamos a viver a terceira guerra mundial, é insidiosa, desonesta , biológica, económica, política e social e é mortífera, e pior, como tem como motor um agente biológico desconhecido, é incerta a sua duração e imprevisível o número de baixas que vai causar, aos que não leva a vida leva ao menos a sanidade e pode mesmo levar a “humanidade” de cada pessoa.

Um sério alerta a todos: quando os tempos são difíceis, e não se nega que são, há que saber passar as mensagens de forma adequada, Senhores Governantes e responsáveis máximos pelas autoridades de saúde façam um exame de consciência e tenham presente que: “À mulher de César não basta ser séria, tem de parecê-lo”, a disparidade e dualidade de critérios  no tratamento de questões iguais retira moralidade e autoridade para impor sacrifícios à população já nitidamente em burnout com o ano mais negro desta geração; colegas jornalistas: mais do que nunca, uma notícia sensacionalista em temas sensíveis pode potenciar uma guerra civil virtual que pode saltar das redes sociais para a vida diária (também a ética jornalística tem de ser adaptada e actualizada ao novo contexto); concidadãos: todos temos direito a opinar, e é possível discordar sem ofender. Há problemas que podemos evitar em comunidade com um pouco de bom senso e razoabilidade, todos sabemos que a ansiedade  e o medo são gerais e são normais, somos humanos, mas por favor não nos esqueçamos disto: Somos Humanos!

No momento em que são escritas estas linhas o pais vive o rescaldo do anúncio de novas medidas restritivas a pretexto de controle da pandemia de COVID-19 que passam pela restrição de circulação entre Concelhos entre os dias 30 de Outubro e 3 de Novembro, a que se somam, caso a caso, medidas de condicionamento no acesso aos Cemitérios em Todo o Pais, considerando-se a existência de risco de contágio no decurso das habituais homenagens aos ente queridos que já partiram face ao Dia de Finados. Sendo também usual existirem programas de celebração do Halloween importados de referências populares da Cultura Norte Americana, ademais, aguarda homologação do Presidente da República Legislação que impõe a obrigatoriedade de uso de máscara na via pública a todos os cidadãos com idade superior a dez anos, desde que não seja possível garantir o distanciamento desejável de acordo com as determinações das autoridades de Saúde (dois metros), tendo sido eliminada a possibilidade de uso de viseiras desacompanhadas de máscara.

Sucede que, além da natural polémica que rodeia as medidas restritivas acima indicadas, e tendo presente que nem a própria comunidade científica é consensual quanto à percentagem de eficácia preventiva de contágio possibilitada pelo uso mais generalizado de máscara é natural que uma parte da população concorde com tais medidas e que outro segmento se oponha às mesmas, até porque a aferição da legalidade do respectivo processo legislativo já chegou à comunidade Jurídica Nacional, tendo a conformidade à Constituição da República Portuguesa suscitado dúvidas até ao Professor Jorge Miranda, conceituado constitucionalista e um dos mentores da actual lei fundamental.

Por entre acordos e discordâncias e a somar ao fantasma de uma morte ao menos anunciada (não só neste âmbito mas em várias outras hipóteses presentes e futuras de medidas a aplicar) da nossa Constituição, há todavia factos que são graves e que deveras nos entristecem (ou deviam entristecer e suscitar exames de consciência social), envergonham uns  e revoltam outros por serem inequívocos: veio a público que a Direcção Geral de Saúde autorizou a celebração de um casamento com duzentas pessoas que decorreu Sábado em Arruda dos Vinhos (quando estão tendencialmente limitadas estas cerimónias e, a fazer-se devem restringir-se idealmente a um quórum de cinquenta pessoas), pessoalmente como cidadã obrigada a cumprir proibições de conduta sob pena de desobediência ou coima muito gostaria de saber que critérios e motivos presidiram a esta excepção que além de incompreensível e injusta é discriminatória (Portugal tem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda? – atrevo-me a questionar); foi autorizada a realização do Grande Prémio de Formula 1 em Portimão na presença de público nas bancadas do autódromo em número autorizado até 27.500 pessoas considerando a DGS ser reduzido o risco (muito gostaria também que me explicassem, como cidadã nacional, nada orgulhosa de o ser diga-se em abono da verdade, em que moldes juntar 27.500 pessoas em bancadas tem risco reduzido, e na rua o estado de calamidade impõe limites de ajuntamento de pessoas até cinco indivíduos); e o terceiro facto, devido a uma manifestação decorrida no passado Sábado no Rossio em Lisboa de um grupo de cidadãos que se opõe à forma como são pensadas e aplicadas as medidas restritivas tendentes a reduzir o risco de contágio da pandemia em diversos contextos (e não sendo uma mera manifestação anti-uso de máscara como foi veiculado com pouco tacto ou muito sensacionalismo por vários órgãos de comunicação social) nomeadamente sendo este grupo de cidadãos crítico quanto às medidas em uso nas nossas escolas (existem relatos dramáticos de alunos e muitos pais desesperados em todo o país e pessoalmente acompanho ao vivo alguns casos de filhos de amigos meus) o certo é que pelas redes sociais assiste-se a uma violenta “Guerra Civil Virtual” entre quem concorda com o status quo e quem com o mesmo ousa discordar (e sendo perfeitamente legítimo o Direito a ter opinião diversa da maioria ou do que é politicamente correcto). A troca de insultos é absolutamente reveladora de várias coisas: a ansiedade e o medo que cortam a racionalidade de muitas pessoas; a falta de valores e de sólida formação moral e de etiqueta social de outros, a insanidade total de muitas outras pessoas. Vale tudo nas redes sociais, tudo ali é permitido, o insulto gratuito, o ataque pessoal, a humilhação e personalização de questões, os juízos de valor sem conhecimento de causa, as generalizações falacciosas, as tendências políticas extremistas a fazer-se anunciar nas intervenções escritas num ambiente geral tóxico que muito me faz recear pela paz social, e que seriamente me faz temer que estes conflitos sociais deixem o espaço virtual  e saltem para o nosso mundo real.

Acho que estamos a assistir a uma verdadeira bomba relógio em termos sociais e políticos, e temo que se possa chegar ao ponto de denunciar o vizinho que se esqueceu da máscara em casa, e que se possa mesmo partir para a agressão física por delitos de opinião.

Estamos a viver a terceira guerra mundial, é insidiosa, desonesta , biológica, económica, política e social e é mortífera, e pior, como tem como motor um agente biológico desconhecido, é incerta a sua duração e imprevisível o número de baixas que vai causar, aos que não leva a vida leva ao menos a sanidade e pode mesmo levar a “humanidade” de cada pessoa.

Um sério alerta a todos: quando os tempos são difíceis, e não se nega que são, há que saber passar as mensagens de forma adequada, Senhores Governantes e responsáveis máximos pelas autoridades de saúde façam um exame de consciência e tenham presente que: “À mulher de César não basta ser séria, tem de parecê-lo”, a disparidade e dualidade de critérios  no tratamento de questões iguais retira moralidade e autoridade para impor sacrifícios à população já nitidamente em burnout com o ano mais negro desta geração; colegas jornalistas: mais do que nunca, uma notícia sensacionalista em temas sensíveis pode potenciar uma guerra civil virtual que pode saltar das redes sociais para a vida diária (também a ética jornalística tem de ser adaptada e actualizada ao novo contexto); concidadãos: todos temos direito a opinar, e é possível discordar sem ofender. Há problemas que podemos evitar em comunidade com um pouco de bom senso e razoabilidade, todos sabemos que a ansiedade  e o medo são gerais e são normais, somos humanos, mas por favor não nos esqueçamos disto: Somos Humanos!

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