Editorial

A lei da rolha está de volta… Médias de primeira e médias de segunda!

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Muitos são os leitores que nos questionam sobre os dados que o Diário do Distrito publica relativos à contaminação por Covid-19, nomeadamente sobre a localização dos casos de infectados.

Os leitores, e não só, gostariam de saber quais são as freguesias mais afectadas, até por uma questão de segurança.

Claro que a Direção Geral de Saúde nos envia diariamente – de uma forma atrasada, mas já lá chegarei – o relatório dos dados de casos, mas essa informação refere-se apenas aos concelhos, e apenas começou a ser partilhada após grande insistência dos jornalistas durante as conferências de imprensa diárias.

Quando questionada sobre o assunto, a directora da DGS, Graça Freitas, referiu que actualizar esses dados seria um esforço muito grande para as equipas. O que não é verdade, uma vez que essa informação já é enviada para as Câmaras Municipais, que optam por não divulgar esses casos, excepção feita à autarquia de Setúbal.

O medo já sabemos que está instalado e a falta de informação apenas aumenta essa sensação de insegurança, ao ponto de que no dia de ontem tive que responder a quem nos inquiria pelas redes sociais que esses dados devem de ser divulgados pelas Câmaras Municipais.

Numa tentativa de fazer o nosso trabalho, que é de informar a opinião pública, solicitei também a uma autarquia por essa ajuda, de nos enviarem os dados a que somente elas tem acesso, através do seu gabinete de Proteção Civil Municipal, quer através do alto responsável por esse gabinete, os presidentes das Câmaras Municipais – e a resposta foi esta que passo a citar:

«A partir do momento em que os dados oficiais passaram a ser divulgados pela Direção-Geral da Saúde, sem erros e por concelho, o Serviço Municipal de Proteção Civil e o Município passaram a divulgá-los diariamente no site. Estes são os últimos dados disponíveis: xxxxxxxxxxx

Não importa saber qual é o município que responde uma coisa destas a um Órgão de Comunicação Social regional/nacional, sim, porque o Diário do Distrito a partir de 2013 foi considerado pela ERC sendo um OCS de âmbito nacional, então se temos esse estatuto que pouco ou não nos serve mediante estes organismos de Poder Local, para que ser o nosso estatuto?

Mas depois temos o outro ‘muro’ que se chama DGS, como referi atrás.

Verificamos todos os dias que há órgãos de comunicação social, sobretudo televisões, que avançam com os dados largos minutos antes do relatório nos chegar via email.

Sim, as televisões têm do seu lado a rapidez, mas os jornais precisam de tempo para elaborar as notícias com os dados, pelo que dificilmente bateriam as televisões na divulgação desses dados.

Mas para a DGS, há órgãos de comunicação social de primeira e outros de segunda, não cumprindo aquilo que o Presidente da República exigiu há dias, a ‘Transparência, Transparência, Transparência’, porque alguém dessa entidade entende que não estamos todos no mesmo barco.

Eu sei que estou, e a minha equipa de jornalistas com as devidas carteiras profissionais pagas e atualizadas, a trabalhar para uma opinião pública atenta e que quer ser informada e bem informada, porque não precisamos de andar aqui com panos quentes a mascarar a ‘porra’ desta doença que leva à morte pessoas.

São pessoas, não são meros números, embora alguns se comportem como seres de marte, mas não deixam de ser seres humanos que precisam de começar a receber noticias sérias e fortes com o objetivo de entenderem a necessidade da quarentena pura e dura, para que este vírus não se alastre e acabe com a humanidade.

Senhores autarcas, governantes e entidades responsáveis, vamos deixar de andar a brincar com as informações e deixar de lado a lei da rolha, porque os portugueses merecem mais.

Isto não é uma brincadeira, é o país real e nós jornalistas temos o dever de noticiar.

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