Opinião

A importância de se chamar Sócrates (Ernesto)

Uma crónica de Bruno Fialho.

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Quem não conhece a peça de teatro “a importância de se chamar Ernesto”, escrita por Oscar Wilde, na qual o autor retrata a história de quem se faz passar por aquilo que não é?

Ontem acabámos de ser presenteados com uma outra “peça”, que no caso em apreço, não é de teatro, mas sim “socrática”.

Podemos considerar que a peça socrática tem um enredo similar à do autor inglês, pois os protagonistas portugueses, tal como os da peça escrita por Oscar Wilde, conseguem escapar às obrigações que a sociedade impõe.

Na “peça” que ontem nos foi lida por um juiz de direito, descobrimos que afinal não existe corrupção em Portugal e que os acusados são uns “anjinhos”.

Ao contrário do que os portugueses julgam, esta decisão Rosa, que é do juiz e não do partido, irá ajudar Portugal a superar facilmente a crise financeira que estamos a atravessar, pois rapidamente vamos ser invadidos por corruptos, corruptores, pedófilos, ladrões, assassinos, sociopatas e psicopatas de outros países, visto que, neste pequeno canto à beira-mar, não existe justiça.

Nos filmes de acção nunca mais vamos ver alguém dizer que os criminosos estão a salvo num qualquer país das Caraíbas, onde não existem acordos de extradição, pois, a partir de agora, todos esses filmes irão referir Portugal como sendo o melhor país para alguém fugir à justiça.

Mais a sério, posso dizer que esta decisão do juiz Ivo Rosa não me surpreende, inclusive, sempre acreditei que a maior parte dos crimes de que José Sócrates era acusado iriam cair, porque não acredito na justiça portuguesa.

Neste momento os senhores do “estou-me a c… para o segredo de justiça” voltaram a ter o seu herói junto deles e podem começar a branquear a sua imagem para que um dia ele possa vir a ser Presidente da República.

Assim, tal como aconteceu com Paulo Pedroso, tenho a certeza de que José Sócrates ainda irá ser indemnizado por ter estado preso.

A podridão da justiça e a falta dela é uma realidade portuguesa porque estamos mais interessados em criticar o Cristiano Ronaldo, por este mandar para o chão a braçadeira de capitão, do que exigir que se faça justiça e que os criminosos sejam condenados ou as vítimas protegidas!

A título de exemplo, alguém se recorda de Jorge Ferreira Dias, que foi um dos homens mais ricos de Abrantes, com um património avaliado em oito milhões de euros, mas hoje vive do subsídio de reinserção social porque uma Câmara do Partido Socialista não cumpre as sentenças dos Tribunais?

Existiu alguma manifestação por este português ou por outros tantos que vivem na miséria por causa da falta de justiça em Portugal, não!

Mas em Maio, acredito que o Marquês, o da avenida e não o processo, irá ser invadido, por milhares de adeptos para aí festejarem a vitória no Campeonato de futebol.

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Um país que sofre mais pelo futebol do que pela justiça é um país onde os cidadãos são escravizados.

Eu não aceito ser escravo de ninguém e você, o que está disposto a fazer para deixar de o ser?

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