A grande ilusão

Esta semana um artigo de opinião de Diogo Prates.

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A vitória da esquerda nas últimas eleições legislativas no distrito de Setúbal foi esmagadora, o PS elegeu 9 deputados, a CDU 3, o PSD outros 3, o BE 2 e o PAN estreou-se com a eleição de 1 deputado. Sendo que Rui Rio assume que consigo o PSD está ao centro, podemos concluir que neste distrito, onde todas as câmaras municipais são socialistas ou comunistas não existe direita. Será?

O CDS foi o partido mais votado daqueles que não elegeram deputados pelo distrito, seguido do Chega, Livre e Iniciativa Liberal, partido pelo qual fui cabeça de lista, tendo obtido a 3ª melhor votação do partido a seguir a Lisboa e Porto. A questão que se levanta agora é o que é que a direita pode fazer para inverter a situação neste distrito?

As recentes notícias de falência dos serviços públicos nesta região, de que são exemplo o encerramento da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta durante o fim-de-semana e a ameaça de fecho à noite durante a semana e o encerramento de escolas por falta de auxiliares de acção educativa demonstram que é preciso alternativa.

As bolsas de pobreza que teimam em não ser erradicadas de que é exemplo o bairro do segundo torrão em Almada, bairro onde vivem 3000 pessoas sem as mínimas condições de dignidade e salubridade, mostram que a alternativa é urgente. https://www.publico.pt/2018/08/19/local/noticia/reportagem-mais-de-tres-mil-pessoas-vivem-em-bairro-clandestino-em-almada-cvideo-audio-e-foto-repeticao-1841440

A grande medida estrutural que a esquerda apresentou na recente campanha eleitoral foi o passe social com um custo de 40 euros que inclui o passe da Fertagus e Metro de Lisboa, por exemplo. Aquilo que a esquerda não diz é que este suposto desconto trouxe consigo comboios sobrelotados, que partem de Setúbal tão cheios que é impossível entrar neles no Pragal, fruto de uma péssima planificação desta medida, mas há mais: esta suposta “borla” vem acompanhada de impostos altíssimos, por exemplo, o IMI de Almada, Seixal, Setúbal, Alcochete, Montijo, Barreiro é superior ao de Lisboa e muitos destes municípios aplicam a taxa máxima.

Durante a campanha eleitoral, eu próprio e outros elementos da lista da Iniciativa Liberal pelo distrito de Setúbal tivemos a oportunidade de reunir com a Dra. Cristina Dourado, administradora-delegada da Fertagus, que nos explicou que mensalmente a Área Metropolitana de Lisboa transfere para a Fertagus cerca de 500.000 euros de compensação pelo passe social. Temos então a grande ilusão, o passe continua a ser pago, mas desta vez através de impostos, pergunta: é esta a justiça social da esquerda? Imaginemos uma mãe solteira que receba o salário mínimo e não utiliza o passe social, faz sentido que esta mulher pague com os seus impostos o passe social de quem tenha rendimentos que sejam o dobro ou o triplo do seu?

Aquilo que os decisores políticos deviam procurar seria o aumento da concorrência, nomeadamente no transporte fluvial do Tejo e a sua abertura a privados, desta forma os preços baixam e a qualidade aumenta. É esta a essência do liberalismo, impostos baixos para famílias e empresas (a começar pelo IMI que os partidos políticos não pagam), livre mercado, concorrência e iniciativa privada contra rendas e capitalismo de Estado.

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