Opinião

A entreajuda financeira

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Quando depositamos uma quantia na nossa conta bancária, parece-nos por vezes que se trata de um ato e de um interesse só nossos: é o meu dinheiro, a minha conta, os meus juros, para fazer o que quiser. O meu dinheiro fica ali à minha espera, só meu.

Mas se quisermos olhar para mais longe, vemos que o “nosso” dinheiro, logo emprestado pelo banco, está a financiar a compra da casa do nosso vizinho; a compra de alimentos pelo restaurante próximo ou o pagamento de remunerações aos seus trabalhadores; o tratamento médico de alguém a centenas de quilómetros. O meu capital, uma vez integrado pelo banco em circuitos internacionais, vai ajudar a financiar a produção de soja no Brasil ou de automóveis na India.

O banco foi um simples intermediário entre aquele que dispõe. de capital e aquele que dele necessita. Correndo o risco de o devedor não cumprir. E tendo os custos de uma pesada máquina administrativa para gerir o percurso do capital.

Para diminuírem os seus custos e o seu risco, sem prejuízo do seu lucro, alguns bancos, sobretudo bancos de grande dimensão, consagram parte ou a totalidade da sua atividade a pôr diretamente em contato o financiador e o financiado. O banco até pode ter – e tem normalmente – o capital depositado a uma taxa de juro próxima do zero. Mas não é o banco que empresta esse capital em nome próprio, correndo o risco de não cumprimento. É o titular do capital que, mediante aconselhamento do banco, o aplica, correndo ele o risco de não cumprimento.

Nestes termos: o banco não corre risco e é remunerado pelo seu serviço; a sua máquina administrativa torna-se mais leve, pois o banco não está dentro da operação, mas ao lado.

Esta diminuição de custos reflete-se na situação das partes: o titular do capital não vê o seu rendimento tão cerceado pelos custos do banco; e o necessitado de capital obterá o financiamento a custo mais baixo.

Esta maneira de ver a atividade de financiamento tem sido útil mesmo fora do campo bancário. Em diversos países, sobretudo a nível local, têm-se constituído, sob diversas formas jurídicas, grupos de investidores que, devidamente aconselhados, investem, a risco ou a titulo de empréstimo, em atividades também locais, normalmente p.m.e. Nestes grupos, têm por vezes papel importante juristas, empresários e economistas, aposentados ou não, que fazem de consultores.

Gostaria de sublinhar o interesse que estas estruturas podem ter em Portugal no apoio às pequenas e micro empresas desprovidas largamente de capacidade de angariar capital.

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