Opinião

A CULPA DISTO TUDO É DO NATAL!

Uma crónica de Bruno Fialho.

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Nos últimos dias houve um aumento do número de casos de Covid-19 e, consequentemente, de mortes associadas ao vírus.

A maioria dos portugueses, sem questionarem ou procurarem saber toda a verdade, tal como tem acontecido desde o início da pandemia, está a cair no engodo daqueles que remetem a culpa para os ajuntamentos familiares que existiram no Natal, afastando qualquer responsabilidade do Governo liderado por António Costa, nomeadamente pela falta de decisões em aumentar a capacidade hospitalar do país.

A título de exemplo, ao longo deste ano poderia ter sido contruído o Hospital do Seixal, que está no papel há anos, ou outras instalações hospitalares, para darem apoio às unidades de cuidados intensivos, algo que irei abordar mais adiante.

Acontece que os ajuntamentos, familiares e não familiares, desde março de 2020 que têm sido o pão nosso de cada dia e nada mudou até hoje, senão, vejamos:

Nos autocarros sobrelotados, onde por vezes não cabe um palito, há ajuntamentos para quem vai trabalhar, que provavelmente está imune porque o trabalho tem essa capacidade;

Nos aviões, mas quando se está na fila do check-in no aeroporto é obrigatório o distanciamento de 2 metros, mas depois dentro do avião é “tudo ao molho e fé em Deus”, pois, se a aviação parar pode acabar com algumas fortunas de alguns amigos dos governos mundiais;

No metro, esse local em que o ar puro nos envolve docemente durante a nossa viagem (ironia) e onde as janelas, tal como nas escolas, estão sempre abertas (ironia, novamente), os ajuntamentos não causam perigo, porque estamos numa redoma de ar-fresco;

Nos centros comerciais, atolados de gente que não se conhece, mas onde estas passam horas juntas num espaço ao ar-livre (mais uma ironia), também não discutimos o perigo dos ajuntamentos;

Nos eventos políticos, sejam partidários ou do Governo, locais onde o vírus está impedido de entrar, falar de ajuntamento e vírus é quase criminoso;

Nos ginásios, que são locais fechados onde o uso da máscara não é obrigatório quando se pratica exercício, pois, o ajuntamento ou o vírus não é desportista;

Nos navios, barcos ou cacilheiros que fazem travessias de margem a margem, sendo que, como estamos no Inverno as pessoas tendem em ficar nas cabines fechadas, recusando o ar puro (gélido) do convés, jamais iremos ouvir falar de ajuntamentos que façam mal aos portugueses;

E por fim, nos supermercados ou hipermercados, locais onde efectivamente os ajuntamentos nunca existiram, principalmente nas filas intermináveis a que temos assistido (ironia final).

Posto isto, deixemo-nos de falsidades ou de demagogia barata para assustar os portugueses, que têm como único objectivo continuarem a impor-nos medidas sem nexo.

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O vírus é real e existe, ninguém contesta isso, mas tem de ser combatido de outra forma e com uma prespectiva diferente. Eu não confio naqueles que têm assessorado o Governo e nem no próprio executivo que tem tomado decisões contra os portugueses.

O aumento do número de casos deve-se ao facto do frio extremo ter chegado a Portugal e isso é normalmente causador de gripes, pneumonias e afins, enfermidades que no passado matavam, mas que em 2020, como por magia, desapareceram, tendo sido substituídas pelo Covid-19.

Também houve uma maior procura dos testes durante a época festiva, pois muitas pessoas responsáveis, que por estarem há demasiado tempo sem ver os seus entes queridos, decidiram ser testados para poder passar o Natal mais tranquilos, logo, teria sempre de haver um aumento do número de infectados, por haver mais pessoas testadas.

O que poucos comentam é que o problema tem sido o Governo, com as suas medidas sem nexo e por não ter dotado os hospitais de tudo aquilo que seria necessário para combater a segunda e terceira vaga de Covid-19.

Os hospitais sempre estiveram lotados no Inverno devido à falta de investimento e de boa-gestão na Saúde, isso não é nenhuma novidade. O que acontece neste momento, é que a sobrelotação das unidades hospitalares com doentes por Covid-19 obriga à paragem de cirurgias e outros actos médicos que salvam vidas, algo que com a gripe, pneumonia e afins não representava um problema desta dimensão.

Neste momento há que dizer a verdade, a vida dos pacientes de Covid-19 vale mais do que a daqueles que estão a morrer de doenças oncológicas ou outras, pois estes não estão a ter consultas ou a fazer os tratamentos necessários.

E há que dizer sem medo, o Governo opta por deixar morrer quem não tem Covid-19, porque desde março do ano passado que a morte por outras doenças não abre noticiários.

Publicamente sempre defendi outro programa de combate à pandemia que passaria por ter menos restrições, mas focar-nos na população de risco (idosos, doentes, etc), na criação de mais hospitais de campanha, os quais ficariam a dar apoio aos pacientes infectados pelo vírus, retirando pressão aos hospitais centrais, bem como a contratação de mais pessoal médico e auxiliar.

Encerrar restaurantes, empresas e o país não é solução porque, como temos constatado, não tem tido qualquer efeito no combate à pandemia.

As medidas do Governo falharam e António Costa vai repetir a dose, isso é insano!

Ou mudamos a forma de combate à pandemia ou vamos todos sofrer consequências inimagináveis, que apenas nos vai levar a dizer que a culpa disto tudo é do (próximo) Natal.

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