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Opinião

A construção e inauguração da praça de toiros de Aldeia Galega em 1862

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Há séculos que existe um grande entusiasmo pela festa dos touros na nossa Terra e para o confirmar a seguir transcrevo uma parte um texto/relato de José de Sousa Rama publicado no seu livro COISAS DA NOSSA TERRA: “Tinham decorridos largos anos sem que houvesse toiradas nesta vila. Fora talvez devido a este facto, que os principais habitantes de Aldeia Gallega resolveram, em Julho de 1862, mandar construir uma praça, onde se realizassem duas grandes corridas de toiros, lidados por curiosos, por ocasião das pomposas festas da Piedade. Resolveram também, que esses dois divertimentos que tanto despertam a curiosidade popular, fossem gratuitos. Divulgada a notícia, apoderou-se de toda a gente uma louca febre de entusiasmo, a ponto de os operários trabalharem com tal actividade que, dias antes dos designados para as corridas – 24 e 25 de Agosto-, já a praça estava pronta. Verdade é, que os construtores pouco se preocuparam com ornamentações, sólidos troncos de pinheiros e boas taboas de pinho, constituíram quais o único material empregado na obra. Segundo a opinião dos peritos a praça era grande e estava construída com solidez.

Por ocasião da festa da Piedade, era costume fazer-se nesta vila, no largo fronteiro à igreja matriz (hoje praça Serpa Pinto), uma feira composta de barracas de lona, onde se vendiam quinquilharias, doces e refrescos, costumando também ali concorrer, uma

companhia de saltimbancos que armava a sua barraca, no mesmo largo, do lado sul.

Supõe-se que, no louvável desejo de proporcionarem a toda a população uma agradável diversão, os diretores das corridas decidiram que os toiros entrassem na praça, às sete horas da manhã, percorrendo a vila na sua maior extensão, isto é, desde a Quinta das Postas (Parte desta quinta ainda existe, pertence a Lurdes Leite) até à Graça.

Para o sítio das Fontainhas (hoje faz parte da B.A.6), onde o gado pernoitara, logo de manhã cedo partira numerosa cavalgada, composta dos curiosos que tomavam parte nas corridas e de muitos outros rapazes que quiseram acompanhá-los…

Calcule-se, pois, o aspecto que apresentaria Aldeia Gallega, sob o claro sol do dia 24 de Agosto de 1862, achando-se todas as janelas, ruas e largos, por onde devia passar o gado, apinhados de gente ansiosa por disfrutar um espetáculo tão predileto do povo ribatejano: – as entradas!

Por volta das sete e meia, começou a ouvir-se, para os lados da rua de Santo António (hoje Avenida dos Pescadores), grande sussurro produzido pelo trotar dos cavalos, toiros e cabrestos, e também pelo enorme alarido da gente que nessa rua presenciava o desfilar do cortejo.

Ao chegar ao largo feira, um dos toiros foge e, metendo-se por entre as barracas, vai colocar-se no recanto que fica em frente da porta principal da igreja. Entretanto, o gado segue quais a galope e, entrando na rua Direita, encaminha-se para a praça.

Os cavaleiros que tinham ficado no largo, na doce ilusão de poderem conduzir o toiro tresmalhado para a praça, espalham-se pela feira, cada um alvitra a sua ideia, mas nada conseguem resolver. Por fim, o mais corajoso, aproxima-se do toiro, aplica-lhe a vara,

esta com a resistência parte-se, o cavalo é ferido no peito, o cavaleiro resvalando pela garupa, encontra-se de pé, em frente da cabeça do toiro, a um metro de distância!

Esta cena acaba de desorientar por completo os inexperientes cavaleiros. Um deles, para ir em socorro do amigo, apoia-se e abandona o cavalo| Mas o toiro, em furiosa correria por entre as barracas, parece querer varrer a feira. Ao encontrar o cavalo abandonado, atira-se a ele com valentia, e mata-o. Nesse momento, aparecem os campinos (era tempo!…) e conseguem envolver o toiro entre cabrestos, conduzindo-o assim para a praça.

Nós estávamos numa janela, em sítio onde não podíamos observar tão sensacional acontecimento. Ouvimos, porém, narrar tantas vezes os vários episódios da fuga do toiro que, apesar de contarmos apenas nessa época treze anos, nunca nos esqueceram as celebres entradas do dia 24 de Agosto de 1862.

Seriam quatro horas, quando chegámos à praça. Escusado será dizer que todos os camarotes e trincheiras regurgitavam de espectadores (cerca de 4.000 pessoas-mais de 50% da população de Aldeia Galega à época). Após a comparência da autoridade, entrou na arena um vistoso cortejo, trazendo à frente o cavaleiro, seguido dos bandarilheiros, moços de forcado e campinos, todos naturais de Aldeia Gallega. Durante as cortesias a banda marcial, composta também de curiosos e de alguns músicos da extinta sociedade Recreativa, executou o hino de D. Luiz I.

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Quanto à corrida, não soubemos avaliá-la devidamente, mas lembra-nos de ouvir dizer que correra mais do que regular, atendendo a serem curiosos todos os lidadores”.


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