Opinião

Uma caldeirada Popular e Populista

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Em qualquer país, e Portugal não é exceção, em todos os atos eleitorais ou outras
ocasiões do quotidiano deparamo-nos com dois tipos de pessoas: as populares, muito
carismáticas, afetuosas e que normalmente arrecadam a simpatia e
consequentemente, os votos, no cenário político; mas também as populistas, que
embora sejam igualmente, indivíduos de uma forte presença na sociedade, a estas
características, adicionam uma pitada de informações distorcidas ou falsas,
procurando muitas vezes propor coisas impossíveis ou capitalizar sobre medos e
tópicos delicados na sociedade.
Se formos a comparar, os dois conceitos parecem similares: discurso pronto, objetivo
e atrativo para os seus ouvintes, mas quais serão as diferenças entre ambos, o que os
separa verdadeiramente? E ainda, será que existe alternativa a estes dois modelos?
Racionalmente, os candidatos populares deviam ter um melhor desempenho pois
apresentam propostas que aparentam ser coerentes e exequíveis.
Porém, as arruadas onde andam atrás de senhoras idosas nos mercados ou nas
praias para lhes dar beijinhos, ou a busca pelo momento e o local onde algo
significativo acontece, apenas para pousar para a câmara não demonstram também
laivos de populismo? Esta é infelizmente a parte que torna os populares igualmente
sofríveis ou mesmo maus para o cenário político atual.
Em claro contraste o populista apresenta propostas que muitas vezes são
demagógicas (o candidato sabe não serem possíveis de implementar e nas quais não
acredita); como por exemplo propor aumentos salariais “gigantes” em períodos de
plena crise económica ou o aumento da taxação sobre as empresas (sendo que quem
mais sofre com isso são as PMEs e não as “grandes” empresas), inviabilizando
posteriormente as tais subidas salariais concretas.
O Populismo também se reflete em ações governativas, como as tão famosas
cativações feitas no orçamento da saúde, educação e outras áreas económicas e
sociais importantes, tudo para quê? Para pagar uma dívida e garantir um superavit
falso, já que o país não cria riqueza, não exporta e depende quase exclusivamente da
economia interna (o dinheiro roda cá dentro de uma forma paradoxal, de cá para la e
vice-versa).
Muitos pensam e hoje se defende que o Populismo é um fantasma da Direita. Ele
existe tanto à esquerda como à direita; continuamos cada vez mais a ter isto: um
monte de ataques ad hominem de um lado para o outro, “soluções” feitas em cima do
joelho para resolver problemas complexos (com mentiras à mistura) e “show-off” puro
a toda a hora, seja por selfies, seja pelo que bem entenderem; tendo isto tudo em
conta qual será a alternativa?
Será que se pode inverter esta tendência crescente que não nos leva a lado nenhum,
senão a mais divisões e extremismos que colocam em xeque a nossa democracia?
Evidentemente que sim. Porém, isto só pode ser conseguido com propostas
concretas, de crescimento económico, que garantam verbas para manter os serviços
essenciais a par do reforço da entrada de capitais externos que permita uma redução
significativa da carga fiscal.
O estado não pode perder receita fiscal, porém uma economia sujeita ao nível de
impostos que Portugal tem neste momento apenas leva à pobreza. As pessoas
necessitam de ter mais dinheiro nos seus bolsos; o aumento estruturado e alicerçado
do poder de compra é vital para todos nós. O Liberalismo preconiza o que aqui se
expressa, além de ser por excelência a doutrina que assegura o funcionamento pleno
de um Estado Democrático onde o poder não está concentrado numa só figura ou
órgão e onde os cidadãos possuem mais liberdade; tomemos o exemplo a Revolução
Liberal de 1820 que completa este ano o seu bicentenário.
Falta igualmente uma conexão não populista, cada vez mais próxima entre a
população e os seus representantes eleitos (os deputados), que permita o foco no
essencial (cada cidadão pode fazer sentir as suas necessidades ao seu representante
direto), e não simplesmente a faceta popularucha de aparecer em frente às câmaras a
dar uma imagem de herói nacional ou falsos profetas. Portugal precisa cada vez mais
de pessoas e políticas assertivas, quebrando com a atual dicotomia populista e
extremamente polarizada “Esquerda-Direita”, onde são criados “soundbites”
demagógicos com exposição mediática excessiva, a toda a hora.
Há várias gerações que nos deparamos com esta “Caldeirada”, que como já vimos só
levou a mais divisões sociais, crises económicas consecutivas e empobrecimento do
País que levou à Emigração de vários jovens talentos, daí ter chegado a hora de por
um travão nisto. É preciso reconhecer que este “prato”, provado já diversas vezes,
possui um mau sabor, e precisa de ser refeito, não por ser o que é, mas sim pelos
seus ingredientes (os atuais políticos e as suas políticas), antes que nos sirvam algo
bem pior onde só predomina um único ingrediente: o da repressão, com uma pitada de
miséria.

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