Opinião

Como dar um futuro à juventude de setúbal (fazer o que ainda não foi feito)

Um artigo de opinião de Martim Serrano, Membro da Iniciativa Liberal e estudante

Segundo dados da PORDATA e relativamente a indivíduos com menos de 25 anos de idade, no ano de 2019 a taxa de desemprego registada em Portugal foi de 18,3% (68.368 pessoas). O Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza regista no seu site que no distrito de Setúbal, em 2019 havia 2.123 desempregados nesta faixa etária e que em abril de 2020, esse número subiu para 3.462 (61% de aumento).

Ora, baseados nos dados estatísticos, relativos ao ano de 2020, podemos perceber (também em função da pandemia de COVID-19) que um número crescente de jovens Setubalenses luta para conseguir arranjar estabilidade laboral.

Portugal possui uma vasta falta de oportunidades laborais, e o distrito de Setúbal não é excepção.

Exemplo:

a escassez de oportunidades específicas no contexto da sua área de formação (inexistência de nichos de mercado);

o fato de simplesmente a maioria das empresas que existem não terem a capacidade de crescimento e por consequência não efetuam mais contratações.

Logo, o jovem que acabou de sair da faculdade ou do ensino secundário, vê-se obrigado a abandonar a sua área preferencial de trabalho e a aceitar um emprego no sector terciário (serviços), como por exemplo, em empresas do setor da restauração e hotelaria onde as funções requeridas não tiram partido das qualificações adquiridas/desenvolvidas. Isso, infelizmente, significa que o primeiro emprego na maioria das vezes (e o segundo, terceiro e por ai adiante…) acaba por ser precário e a recibos verdes; com um paupérrimo salário mínimo.

Por consequência, quem tem mais formação ou formação mais requesitada no mercado Internacional (como o triste exemplo de médicos e enfermeiros nos anos recentes), acaba por emigrar. Essa fuga de profissionais especializados acaba por “lesar” o Estado que somos todos nós; já que esses jovens deixam de dar o seu contributo social e economico para o nosso país e todo o investimento realizado na sua formação é perdido a nivel nacional e oferecido gratuitamente aos paises que os recrutam.

Em segundo lugar, e muito relacionado com o primeiro ponto, há também uma grande falta de formação, nomeadamente em empreendedorismo (criação do próprio negócio), em que o jovem passa a poder criar o seu posto de trabalho, sem depender de terceiros; Com esta formação, o jovem aprenderia a fazer um plano de negócio, efetuando um estudo de mercado, e percebendo que empresa seria mais adequada para criar, sem ter de ocupar um gigantesco mercado já existente, tal como o setor da restauração, e podendo competir num novo antro concorrencial emergente, em que possa maximizar os seus lucros e ter uma

empresa de sucesso. Uma aposta neste de tipo de cursos formativos seria excelente, porém o que verificamos ainda ao longo de vários anos, é um grande vazio de infraestruturas que possam ajudar o jovem empreendedor, como apoios reais tanto do poder local quanto da sociedade cívil, mesmo apesar da existência de um gabinete de apoio ao empresário e do programa da Câmara de Setúbal, destinado à juventude, o “ Investe Jovem”, que apenas fornecem escassos recursos financeiros e uma tentativa de apoio técnico, facultada por formadores que na sua grande maioria nunca souberam o que era ser empreendedor.

Para terminar, temos ainda uma grande quantidade de burocracias e outros entraves, como as permissões e papelada necessária para abrir certos negócios e a elevada carga fiscal para as empresas, algo que espanta cada vez mais o empreendedorismo e retira receitas ao distrito e particularmente ao municipio de Setúbal, para além de impedir a criação de vários postos de trabalho que poderiam perfeitamente neste momento estar a ser ocupados.

Como endereçar soluções viáveis de curto e médio prazo de implementação

Em virtude de todos os problemas abordados acima, é necessário encontrar soluções viáveis para acabar com este grande problema que assola a juventude na região, tais como:

– a criação de Gabinetes de apoio ao jovem empresário, com núcleos em cada junta de freguesia; pois até agora só existe um e no município Setúbal, ampliando e trazendo à área de residência de cada municipe a rede de suporte ao empreendedor iniciante;

– incluir no Gabienete de apoio ao jovem empresário uma unidade destinada à formação e apoio ao lançamento de empresas, para que o pequeno e o jovem empreendedor possam ser aconselhado sobre o tipo de negócio que devem abrir;

– ensinar o empreendedor a realizar um estudo de mercado conducente a criação de um business plan que seja exequível num modelo de negócio competitivo e potencialmente rentável;

– Implementar em conjunto com os empresários locais dos mais diversos tipos de negócios, um fundo de fomento local, tendo como objectivo o financiamento das startups com mais potencial fornecendo assim o “boost” inicial para o arranque dos negócios.

As vantagens para cada empresário local (investidor neste fundo) podem traduzir-se em dois pontos fundamentais:

– Cada euro investido no fundo (até um máximo de 50% dos lucros tributaveis do seu negócio) é deduzido em sede de IRC  nesse mesmo ano fiscal.

– Caso a startup tenha sucesso, do valor dos lucros obtidos nos primeiros dois anos de actividade, o empresário investidor recebe (além do seu

investimento) um valor correspondente a 25% dos lucros dividido pelo numero de investidores.

Esta medida promoveria a criação de cada vez mais empresas e a concorrência saudável num livre-mercado, sem a existência de burocracias ou grandes monopólios; é ainda de ressaltar que o fundo seria devidamente vistoriado pelos investidores, em conjunto com a câmara, uma organização independente e ainda, membros do setor judicial pertencentes à comarca de setúbal. O Papel do Estado é meramente o de Regulador e não interferirá na gestão do fundo.

Muita coisa pode ser feita para ajudar a juventude (não apenas de Setúbal mas de todo o país), mas cabe apenas a nós exigir aos nossos representantes e a quem governa, que tenha este tipo de ideias inovadoras, para que ainda haja esperança para os nossos jovens que são o futuro do nosso país.



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