A virilidade dos 70

Esta semana, um artigo de opinião de Rui Pinto Reis, empresário

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Tempo de Leitura: 2 minutos

Somos um país com amor próprio suficiente para brincarmos com as nossas características. Mesmo com as piores.

Quando ouvi as declarações de António Costa, sobre a possibilidade da realização da Festa do Avante, pensei, automaticamente, em Otelo Saraiva de Carvalho. Intriga-me a opinião do histórico histérico do 25 de Abril. A verdade é que, usando da boçalidade que o fez famoso, é justo dizermos: Era meter os comunistas todos no Avante.

O país caminha para uma crise de tamanho colossal. A dependência crónica do exterior e a consequente necessidade de entrada de divisa vinda do estrangeiro, até para manutenção de empregos é o primeiro problema. Mas existe também a a questão da orfandade produtiva que nos tornou reféns dos preços praticados pelo mercado externo.

A capacidade produtiva necessita de planeamento e anos para correcta implementação. Neste momento, não há tempo, pelo que, urge fazer controlo de danos e minorar os efeitos da pandemia. Em nome da integridade nacional é obrigatório acabar com a união nacional e começar a chamar os burros pelos nomes. Portanto, voltando ao PCP. Pior do que o Primeiro-ministro querer “dar um jeitinho” a Jerónimo, é o Partido Comunista demonstrar, uma vez mais, a cegueira ideológica que lhe tolda aqueles raciocínios ao qual alguns chamam pensamento.

O PCP vive ancorado ao que vale e angustiado pelo que nunca foi. Sequestrado por radicais que bebem do Marxismo escusando o extenso trabalho do raciocínio, seguiram pelos 46 anos de democracia como os mais iguais entre iguais e, por consequência e desígnio divino, proprietários absolutos e herdeiros da liberdade. Os portugueses, apesar da comicidade constante das atitudes, foram suportando a K7 e a inércia. A verdade é que ninguém quis, em tempo algum, saber o que (ou se) pensam os Camaradas. Foram-se mantendo como a tralha que temos na garagem.

Tudo bem. O verdadeiro problema é quando a “tralha” se torna tóxica. A conjugação de factores políticos, neste plano obliquo em que vivemos, fez do PCP um mal necessário para António Costa. Os comunistas, pela soma do vácuo ideológico com o vazio de propostas exequíveis apresentadas, são os mais fáceis de agradar. A quem nunca foi acarinhado pelo país, bastam umas festinhas.

Assinala-se a troca de regime e põe-se de parte o Dia de Portugal. Num país onde existem mais católicos do que trabalhadores, expia-se Fátima para se realizar o Dia do Trabalhador e por fim, e mais importante, pára-se uma indústria de milhões em nome da saúde pública, mas permitimos a Festa do Avante. Estamos a semear muito mais do que poderemos colher e esta factura será paga em vidas de compatriotas.

Bem sei que, apesar da avançada idade, Jerónimo Martins se tem comparado a um vigoroso garanhão, capaz de cumprir, com sucesso, as missões que lhe propõem. O grande problema é que quando a mula parir, sobrar-nos-ão problemas, fruto das vastas e intrépidas investidas do femeeiro português.

Ainda há tempo para fazer o que beneficia o país. Só o mais sábio e o mais burro dos homens nunca muda de ideias. Se o primeiro não serão, espero que não se comportem como o segundo.

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