PS e PSD: duas faces da mesma moeda

Esta semana um artigo de opinião de Diogo Prates.

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A vitória de Rui Rio representa uma boa noticia para si próprio naturalmente, mas também para António Costa e para os novos partidos, Iniciativa Liberal e Chega, no entanto é uma má noticia para o próprio PSD e pior que isso, para o país. Rio continuará a encolher o partido, terá agora mais força e legitimidade para o moldar à sua imagem e semelhança, pequeno e mesquinho.

Deste PSD liderado por Rio não se espera uma alternativa clara ao socialismo ou à esquerda que nos governa, até porque Rio está ao “centro”, “tanto sou de centro-direita como de centro-esquerda” nas palavras do próprio, (é engraçado de ver, uma pessoa de esquerda não tem vergonha de dizer que é de esquerda, no entanto a direita em Portugal tem este complexo de se assumir, que a mim devo confessar, faz impressão).

Rio está ao centro porque é aí que estão os votos diz, pode até ter razão, muitos eleitores oscilam entre PS e PSD, dependendo do líder de cada um ou da situação do país, a verdade é que o recém-eleito líder do PSD deveria ter um discurso para 51.43% de portugueses que não foram votar nas últimas eleições legislativas e representam um novo record, que estão desiludidos com a política e querem uma alternativa real, e não esta alternância de poder que temos assistido desde 1974 e nos conduziu a três pedidos de ajuda externa em 40 anos de democracia.

A estratégia de Rio parece ser esta, oferecer a Costa uma alternativa quando este se cansar do PCP e do BE, repetir um bloco central daqui a 4 anos eventualmente. É comum dizer-se, as pessoas preferem sempre o original à cópia e esse é o drama de Rio, ao não oferecer uma clara alternativa ao actual PS, o seu PSD será sempre a copia e as pessoas preferem o original, Rio dificilmente ultrapassará os 30% nas próximas eleições legislativas e de facto, a única coisa a que pode aspirar é que Costa lhe lance a boia de salvação, um lugar no governo.

Perante este cenário, o que têm a ganhar os novos partidos, Iniciativa Liberal e Chega? Tudo, naturalmente. A Iniciativa Liberal teve a sua prova de fogo quando o líder natural, Carlos Guimarães Pinto ao não ser eleito deputado, considerou que o partido deveria continuar sem ele na liderança, o deputado eleito, João Cotrim de Figueiredo (JCF) era visto como a alternativa mais lógica e consistente, tendo sido eleito com 96% dos votos na III Convenção Nacional que se realizou em Pombal.

Sem oposição interna, JCF tem personificado aquilo que os seus eleitores dele esperam, uma oposição clara a esta maioria, não se limita a fazer o diagnóstico, oferece soluções, desde a bandeira da campanha eleitoral, “uma ADSE para todos” até à proposta para redução do IVA da alimentação infantil e para eliminar a limitação etária na dedução do IRS para famílias que tenham mais que um filho, (https://www.tsf.pt/portugal/politica/iniciativa-liberal-quer-reduzir-iva-da-alimentacao-infantil-11719678.html), passando pela redução de escalões de IRS para apenas 2 e o fim de benefícios fiscais para os partidos https://www.publico.pt/2020/01/15/politica/noticia/iniciativa-liberal-propoe-irs-dois-escaloes-fim-beneficios-fiscais-partidos-1900336.

O Chega, mais do que as ideias, tem para apresentar o seu líder, jovem, carismático, assertivo, tudo aquilo que Rio não é. Porventura, o seu principal problema é que para além do líder, o partido não tem muito mais para apresentar e as outras caras são uma incógnita. Quem não vota no distrito de Lisboa não se pode esquecer que está a votar não para eleger André Ventura, mas outra pessoa que não sabe quem é.

Durante os próximos 4 anos, a oposição ficará a cargo de CDS, IL e Chega, por Portugal, esperamos que tenham sucesso.

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