Opinião

12 milhões guardados para este momento

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Já se sente o cheiro a eleições. Pior, já se sente o incomodo de toda a agitação e azáfama das obras e eventos guardados para os próximos meses.

No Montijo está aberta a época de mostrar que se faz. As obras empecilham inúmeras ruas da cidade, cortando o trânsito aqui e ali, condicionando a circulação a cada cruzamento. Estátuas e monumentos são inaugurados com pompa, aproveitando todas as datas significantes para plantar mais um lembrete de que quem está na gestão faz obra. Já a qualidade e o significado dessas artes são discutíveis e bem discutidos nas redes sociais.

Mas isto é bom… ou não é?

A Câmara Municipal do Montijo tem este ano disponível um pecúlio de 12 milhões de euros, mágico, um exemplo de gestão… de má gestão. Juntar o dinheiro dos munícipes contribuintes no porquinho mealheiro durante 3 anos sem lhe dar uso, para no 4.º ano ter verba para mostrar obra é simplesmente aberrante e danoso.

Resolvem-se agora problemas que podiam ter sido resolvidos há 3 anos e que assim andaram a fustigar os moradores, retirando-lhes condições e comodidade. Nada justifica esperar pelo fim do mandato para construir a infraestrutura necessária para resolver o problema da “água amarela”, passando 3 anos a afirmar que o problema não existe, reconhecendo que afinal existe quando é anunciada a obra. É inexplicável manter ruas num estado péssimo quando nos cofres da autarquia existiam fundos para as recuperar. Algumas destas obras podiam até ter sido intervenções menores e, consequentemente, menos dispendiosas se os problemas tivessem sido resolvidos em fases iniciais, tal como compete à autarquia fazer.

Convém lembrar que durante 3 anos a qualidade da limpeza e manutenção das ruas, das partes ajardinadas e dos parques infantis padeceu de grande incúria e que, durante esses 3 anos, os munícipes continuaram a pagar impostos sem terem o devido retorno. Mostrar melhor serviço no último ano não compensa a negligência dos anteriores, apenas serve para criar a ilusão de melhoria.

Além de tudo isto, o incómodo. Pára-se a cidade com as múltiplas empreitadas estrategicamente planeadas para cumprir um calendário político de sucessivas inaugurações até à apoteose eleitoral. Quando, feitas no tempo devido, o incómodo seria dissipado já que se podia planear a realização das mesmas distribuídas ao longo dos 4 anos. Podia-se até prever algumas durante o fim de semana ou durante a noite, em tempos em que as ruas não são utilizadas.

Estes 12 milhões não são da Câmara Municipal do Montijo, são nossos, foram subtraídos ao nosso esforço, ao nosso trabalho e ao nosso mérito. Se não eram necessários não deviam ter sido cobrados, se foram cobrados deviam ter sido investidos em benefício da população.


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